Dúvidas & Angústia.

Dica

Abril 15, 2008 · 2 Comments

Eu estava procurando uma boa tradução da Crítica da Razão Pura há alguns dias e achei esse ‘blog’, falam de uma tradução portuguesa nos comentários.

Mas o que interessa é que eu descobri uma pérola. Ótima iniciativa.

Já baixei esse arquivo sobre a obra do Kant e adorei. Mas tem bastante arquivo a ser explorado. Confiram:

NavegaMp3.Org

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O corpo como elemento de exclusão

Abril 15, 2008 · No Comments

O corpo como elemento de exclusão

Ótimo texto, ótimo ‘blog’.

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Como é ruim ter certezas

Abril 4, 2008 · 18 Comments

Estive perdendo meu tempo discutindo com algumas pessoas nesses dias e confirmei o que eu já sabia: elas são burras as pessoas se iludem com determinadas figuras caem no ridículo e esquecem de sair desta ilusão.

Aprendizado: conversar com gente burra causa câncer no cérebro não adianta fazer tentativas de mudar a situação, as pessoas não gostam de mudanças e não respeitam a diferença.

O engraçado é que ninguém mais pode defender palavras como humildade intelectual e honestidade intelectual. É quase uma afronta. Mas, enfim, não vou mais perder meu tempo com coisas simples. Se há algo que eu preciso exercer agora é: não me importar com o que a maioria das pessoas pensa, a maioria sempre é burra pois elas estão afogadas em suas crenças.

Ceticismo é uma maldição.

Se eu falo que não creio em Deus, logo resolvem dizer que eu sou ignorante.

Se eu falo que a ciência está muito mais avançada que as concepções que as pessoas retiram do século passado, inventam um meio de me chamar de ignorante.

Se eu falo que a Filosofia está para muito além de uma figura pública que não exerce influência em nenhum pensador que se preze, então gritam que sou ignorante.

Eu só fiz isso (me aproximei) para (tentar) enxergar um pouco de sanidade e inteligência, mas não encontrei. Paciência.

De maneira geral, irei continuar o que eu estava fazendo, mas agora exigindo mais de mim (concentração).

Desejo sinceramente:

CONTINUEM NA IGNORÂNCIA, POIS APENAS NELA QUE VOCÊS OBTÊM SUCESSO.

 

 

 

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Meme literário

Abril 1, 2008 · 6 Comments

O Jorge pediu para que eu escrevesse algumas coisas sobre cinco autores preferidos. Bom, é complicado, pois ele citou ‘’meme literário’’, mas nem sempre eu consigo limitar um autor à literatura ou até mesmo dizer o que é literatura. Espero que vocês gostem, falei dos seguintes pensadores: Emil Cioran, Fiodor Dostoiévski, Ivan Turgueniev, Jean-Jacques Rousseau e Mario Quintana. No final, indicarei três blogs para participar também. Lembrando: não precisa colocar trecho de obra, eu o fiz porque sou exagerada.

Emil Cioran (1911 – 1995)

Paulo Ghiraldelli Jr (se não engano) falou que aforismos são como bombas, basta um aforismo para nos destruir. Concordo. Se não for assim não faz sentido. Cioran é mestre nesta arte. Provavelmente muitas pessoas não conseguem ler Cioran, filósofo romeno (quer duas coisas mais esquisitas, filósofo e ainda romeno?!) conseguiu viver bastante tempo na França (acho que uma década) com bolsas de estudo, deve ter lido bastante, mas viveu mais ainda. Ele é um filósofo admirável por conseguir conciliar a Filosofia ao modo de vida, ele vivia a Filosofia, na verdade. Eu sinto muito por ele não ser muito conhecido ou valorizado, talvez justamente por ‘’fugir’’ dos padrões exigidos pela sociedade. Isto me faz sofrer porque, inclusive, é difícil de encontrar livros dele na nossa língua. Mas enfim, Cioran é ácido, não recomendo a qualquer um, recomendo apenas aos que tem bom senso.

Trechos da obra Silogismos da Amargura:

‘’Muito antes da física e da psicologia nascerem, a dor desintegrava a matéria e a angústia a alma.’’

‘’Há dois mil anos Jesus se vinga de nós por não ter morrido em um sofá.’’

‘’Só vivo porque posso morrer quando quiser, sem a Idéia do suicídio já teria me matado há muito tempo.’’

Fiodor Dostoiévski (1821 – 1881)

Dostoiévski, ah Dostoiévski! Sem Dostoiévski eu seria menos lúcida, seria também menos realista. Dostoiévski tirou parte da minha inocência. Ele me ensinou a enxergar as pessoas como elas são. Nas obras de Dostoiévski os personagens possuem certa pluralidade de vozes, – aliás, aspecto chave na compreensão do autor — vozes essas que muitas vezes se chocam ou se contradizem e o autor nos faz acompanhar o duelo dos seus personagens, muitas vezes com tanto realismo que poderíamos muito bem nos encaixar em determinado momento. Nietzsche já dizia que aprendeu psicologia com Dostoiévski. Eu também estou apta a dizer o mesmo. Obrigada, Dostoiévski.

‘’Comparadas com as personagens de Dostoiévski, as figuras da literatura mais antiga parecem ser sempre mais ou menos idílicas e neutras…(…) Dostoiévski descobre o mais importante princípio da psicologia moderna: a ambivalência dos sentimentos e a natureza dividida de todas as atitudes espirituais…(…)Não só o amor e o ódio, mas também orgulho e humildade, vaidade de auto-humilhação, crueldade e masoquismo, o anseio do sublime e a ‘nostalgia da torpeza’ estão interligados em suas personagens’’. (Palavras do crítico Arnold Hauser em História Social da arte e da literatura).

 

Ivan Turgueniev (1818 – 1883)

Turgueniev é o autor que fala da juventude, dos ideais, da filosofia de uma época. Mas ele fala sobre esses temas nos romances. Turgueniev é o único autor que fala de amor e eu consigo ‘’digerir’’. Ele consegue contrapor o contexto sócio-cultural de uma época aos anseios por liberdade dos jovens e o melhor de tudo: com equilíbrio, com realismo. Não preciso dizer que muitos dos romances não dão certo e é neste ponto que Turgueniev me atrai, ele desperta a idéia de necessidade versus contingência, nos faz questionar acerca dos valores mais íntimos e de seus significados na ‘’síntese’’ da vida.

Reproduzo um trecho do final da obra chamada Ássia:

‘’O que restou de mim, daqueles dias felizes e inquietos, daquelas esperanças e aspirações aladas? O aroma tênue de uma planta insignificante sobrevive a todas as alegrias e a todos os sofrimentos do homem – sobrevive ao próprio homem.’’

Jean-Jacques Rousseau (1712 – 177 8)

Rousseau é um filósofo maravilhoso, tão bom que eu posso colocá-lo aqui no meio da literatura. Exerceu influência até no gênio Kant. Eu sempre sinto uma angústia enorme ao ler Filosofia, mas com Rousseau é um pouco diferente: eu o leio, mas eu me sinto bem por lê-lo, ele dá a impressão que viveu realmente tudo o que escreveu, é uma paixão tão grande, uma maneira tão bonita. Não tenho como eu não me apaixonar. Admiro Rousseau talvez por ele não se enquadrar no perfil de filósofo apenas, mas livre-pensador. Ele sofreu demais e também cometeu atos imperdoáveis, mas não desistiu de escrever, não desistiu do conhecimento. Para vocês terem uma idéia: eu tenho vontade de ler Confissões, uma obra com mais de quinhentas páginas apenas sobre a vida dele, uma autobiografia riquíssima. Abaixo um trecho retirado do Discurso sobre as ciências e as artes:

‘’De onde nascem esses abusos senão da funesta desigualdade, introduzida entre os homens pela distinção dos talentos e pelo aviltamento das virtudes? Eis os mais evidentes efeito de todos os nossos estudos e a mais perigosa de todas as suas conseqüências. Não mais se pergunta a um homem se possui probidade, mas sim se tem talento; nem de um livro se é útil, mas se está bem escrito. As recompensas são prodigalizadas às belezas do espírito, e permanece a virtude desprovida de honrarias.’’

Mario Quintana (1906 – 1994)

Um brasileiro!! Mario Quintana é sutil, é doce. É doce, mas também é irônico. Foi tradutor, foi jornalista e sempre terá um local no meu coração, talvez pela escrita simples, mas original. A leitura que eu faço na espera de uma fila e que me faz rir do mundo, da simplicidade do mundo. Ele é minha fuga, é meu ‘’porto-seguro’’, é meu lugar calmo quando quero fugir da Filosofia. Salve, salve, Mario Quintana!

Recordo ainda

Recordo ainda… e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta…

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança…

Estrada afora após segui… Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino… acreditai!…
Que envelheceu, um dia, de repente!…

(Mario Quintana)

Indico:

  1. O hermenauta
  2. Tyrannosaurus Rex
  3. Sblargh

 

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O poder do imaginário social

Março 31, 2008 · 4 Comments

hahaha.jpg

Num país em que Cury escreve livros, Paulo Coelho escreve livros, Marcelo Gleiser escreve livros, Padre Quevedo escreve livros e Olavo de Carvalho escreve livros…

Eu sou ignorante por não ter escrito livros. Que interessante.

E os cursos? Você é um dos que frequentou os cursos de Astrologia do mestre e se acha no direito de defendê-lo? Que pecado o meu, insultei logo quem? O astrólogo!

Este povo deveria me poupar, ou melhor, poupar a si mesmo da vergonha pública quando tenta argumentar.

Ah sim, qual o outro argumento? O Brasil é decante, as Universidades são uma fábrica de analfabetos, sim? Pode ser, mas mais IGNORANTES são os que elevam a idéia de que uma personalidade como Olavo de Carvalho seja um filósofo. E melhor: que alguém do meio acadêmico de outros países (por favor, mostrem as publicações dele nos meios acadêmicos que vocês consideram de qualidade, mas não vale revista portuguesa ou elogio de filósofo brasileiro renomeado, mas morto) leve a sério as obras do Olavo de Carvalho.

Quanto ao baixo nível, ou melhor, ao nível pior do teu comentário, ô nada na Filosofia, nós temos muito o que aprender sim. Mas não se preocupe: não temos a intenção de criar seitas.

Ele pode ter um ótimo domínio do idioma e é óbvio que nunca alcançaremos o nível que Olavo tem no campo das idéias. Quem disse que filósofo tem a obrigação de entender louco? Eu nunca quis entender gente doente, deixo isso para os especialistas da área da saúde.

Mas já com o benefício da dúvida, responda as perguntas que eu fiz:

  1. Qual a contribuição do Olavo para a Filosofia?
  2. Qual a utilidade da Paralaxe Cognitiva na Filosofia?
  3. Estabeleça critérios que corroborem a idéia de que Olavo está certo ao aplicar à paralaxe cognitiva na Filosofia de Kant:

Na verdade: se você responder à terceira pergunta eu já fico satisfeita. Do contrário: leia o título do tópico, ele é adequado aos teus argumentos.

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Epicuro

Março 25, 2008 · 9 Comments

Quando te angustias com as tuas angústias, te esqueces da natureza: a ti mesmo te impões infinitos
desejos e temores.

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High and Dry - cover do Radiohead (Jorge Drexler)

Março 19, 2008 · 6 Comments

High and Dry

Two jumps in a week
I bet you think that’s pretty clever don’t you boy?
Flying on your motorcycle,
Watching all the ground beneath you drop
You’d kill yourself for recognition,
Kill yourself to never ever stop
You broke another mirror,
You’re turning into something you are not

Don’t leave me high, don’t leave me dry
Don’t leave me high, don’t leave me dry

Drying up in conversation,
You will be the one who cannot talk
All your insides fall to pieces,
You just sit there wishing you could still make love
They’re the ones who’ll hate you
When you think you’ve got the world all sussed out
They’re the ones who’ll spit at you,
You will be the one screaming out

Don’t leave me high, don’t leave me dry
Don’t leave me high, don’t leave me dry

It’s the best thing that you ever had,
The best thing that you ever, ever had
It’s the best thing that you ever had,
The best thing you ever had has gone away

Cover do Radiohead
Música: High and Dry

Quem canta: Jorge Drexler

O André (Audiatur et altera pars) que me apresentou.

  • Bom feriado para vocês.

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Schopenhauer versus Hegel

Março 17, 2008 · 8 Comments

  • Não são fofos? Imagina se isso tivesse acontecido. :D

Schopenhauer, Hegel

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Amateurs (Causing Violence)

Março 17, 2008 · 2 Comments

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Fonte: Cectic

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Momento Florbela Espanca de Ser

Março 17, 2008 · 2 Comments

Estou sem postar há alguns dias e não estou com a mínima vontade de postar algo bem ‘‘trabalhado’’ agora. Então vou rasbicar sobre o tem acontecido comigo nestes dias.

Eu nunca fiquei contente em conversar com pessoas de determinado lugar, de determinada forma de pensar ou até mesmo com pessoas que concordem comigo. Sempre gosto de diferenças. Isso é bom porque nos leva a enxergar as coisas de uma maneira menos limitada e é ruim porque não teremos muita segurança ao afirmar algo, pois sempre levaremos em consideração os outros aspectos (a multiplicidade) de uma mesma coisa, as pessoas não costumam entender, pois são presas às convenções, a um só ‘‘visar’’, etc.

Eu nunca parei para pensar no tempo em que as pessoas permanecem em minha vida, mas tenho uma leve impressão de que não significam muito (as pessoas e o tempo). O tempo é incerto e as pessoas…Ah, as pessoas…As pessoas são descartáveis. Por qual motivo penso isto? Tento explicar: não há nada de sagrado em um ser ou pelo menos é assim que eu penso. As pessoas são assim mesmo: acham que são importantes. Mas não são. Eu não consigo encontrar respostas nem perguntas apenas numa pessoa, eu caminho, sou inquieta e não fico contente com ser. Ser é pouco.

Mas tudo o que eu falei até agora não diz acerca de um terço do que penso sobre o valor das pessoas. Eu penso que as pessoas são importantes, mas no sentido de momento(s). Nunca devotei à minha vida a alguém, nem a um livro, a nada na verdade. Sempre mudo.

Nessa semana voltei a falar com alguém que já tinha sido importante para mim. Espero sinceramente que esta pessoa não leia, pois tenho vergonha de admitir isto. Essa pessoa é necessária na minha vida (uma entre as poucas), mas também não deixei de viver nesse tempo em que nos falamos.

‘‘I’ve seen too much
I haven’t seen enough
You haven’t seen enough’’

- Idioteque, by Radiohead

Mas também tenho conversado bastante com uma pessoa que bastante especial. O Fábio. Ele é um daquele tipo de ‘‘homem que queremos do nosso lado’’ com ‘‘jeito de menino’’. Fascinante, sim? Eu me divirto bastante com ele, além de discutir, confrontar, etc. É bom discordar dele, pois ele não muda de opinião fácil, diferente da maioria das pessoas com as quais converso. Então vocês podem imaginar que nunca falta assunto para conversamos. O problema é que ele é um pouco exagerado, adora receber carinho, então tenho sempre que fazer as vontades dele, dizer o quanto o admiro só para imaginar o quanto ele fica feliz. No mais: um ótimo amigo.

Nessa semana alguém me fez enxergar algumas falhas minhas e como devo melhorar. Fiquei chateada e por isso estou tentando ‘‘contornar’’ a situação a tempo. Espero que eu consiga, pois eu vou colocar à prova o que eu quero. Esse alguém disse: ‘‘Quer? Então prova!’’. Mas o resultado não é imediato. Vou provar num intervalo de dois anos mais ou menos.

Então, é isso. Não perco muito tempo com uma pessoa só, com um assunto só, enfim…

Sempre me perco (a la Florbela Espanca - Cf. Poema Amar). Por falar em Florbela Espanca:

Desdém

Andas dum lado pro outro
Pela rua passeando;
Finges que não queres ver
Mas sempre me vais olhando.

É um olhar fugidio,
Olhar que dura um instante,
Mas deixa um rasto de estrelas
O doce olhar saltitante…

É esse rasto bendito
Que atraiçoa o teu olhar,
Pois é tão leve e fugaz
Que eu nem o sinto passar!

Quem tem uns olhos assim
E quer fingir o desdém,
Não pode nem um instante
Olhar os olhos d’alguém…

Por isso vai caminhando…
E se queres a muita gente
Demonstrar que me desprezas
Olha os meus olhos de frente!…

Florbela Espanca - Trocando olhares - 18/07/1916

( via: Florbela Espanca )

Meu mal é ser intensa. É acreditar demais num momento e não esperar muito no que possa ser construído a partir disto. Eu sinto necessidade de encontrar o melhor que há nas pessoas, de fazê-las me mostrar o que há de melhor. Mas depois de ensiná-las a despertar o que há de melhor, a responsabilidade não é minha.

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