Quando me perguntam sobre posição política, religião ou gosto literário, por exemplo, eu não respondo. As pessoas têm uma mania chata de mistificar matérias simples e, principalmente, as que dizem respeito à comunidade.
Veja bem, não estou dizendo ‘‘simples’’ com sentido pejorativo, mas para exemplificar um conteúdo diretamente ligado às relações de poder. Se uma nação muda, a partir da obtenção de recursos financeiros, de posição política, por qual razão eu não posso me abster de falar sobre algo específico? Como diria a minha mãe: ‘‘A crise é geral’’. A crise, a qual minha mãe se refere, talvez seja aquela de todos contra todos, na qual as pessoas estão inseridas, mas não sabem exatamente como agir. Quando eu penso em revoltas em favelas, expressas em curtas como o D’un couvre-feu (Yann Beauvais),
não é algo de um dia para o outro (como se costuma dizer popularmente), mas uma repressão de pensamentos, de sentimentos e, sobretudo, eliminação da dignidade de um povo. Aliás, a maioria dos problemas que existem é a partir de ‘‘lacunas’’ assim. Nietzsche, quando expôs o seu Zaratustra, já falava: ‘‘E quando aprendermos melhor a divertir-nos, esquecemo-nos melhor de fazer mal aos outros e de inventar dores’’. Sim, a política e a religião fazem uma parceria incondicional com a dor, ou você pensa que essas grandes fábricas de políticos/religiosos possuem outra base, como a ‘‘ética’’, o ‘‘bem’’? Adam Smith também deixou isso claro n’A riqueza das nações.
Fiquei encantada com a trilogia Bourne (podem me chatear à vontade ou falar mal do meu ‘‘gosto’’ para filmes, estou defendo nesse texto a possibilidade de silenciar quanto ao específico, não me importo se é ‘‘americanizado’’, se é do Japão ou de Marte, se muitas pessoas viram ou se a crítica repudia). O que ocorre é que me chamou realmente atenção a forma que o filme foi conduzido, Bourne fez uma escolha que, como todas as outras, influenciaram de forma decisiva em sua vida. Por querer o bem, Jason Bourne fez mal a si mesmo. Identidade Bourne, Supremacia Bourne e Ultimato Bourne. Remete um pouco às nossas vidas, sim? Não pedimos para nascer, não temos ‘‘identidade’’ formada, a supremacia é quando você consegue se firmar ou se concentrar em algo e o ultimato é quando não se sabe quem venceu ou quem perdeu… o ‘‘jogo de poderes’’ que foi citado anteriormente. Conversando com o Jonas (uma pessoa super bacana que encontrou em contato comigo quando viu uns materiais que hospedei na internet), eu percebi que não estava tão enganada quanto a assuntos relacionados a intervenção da tecnologia no cotidiano. Ele me explicou que, por exemplo, a União Européia abriu uma comissão de investigação por causa de sistema que intercepta dados. E o que eles falam que é apenas medida de segurança [contra terroristas, como exemplo], é aplicado em escala maior.
Enfim, quando alguém perguntar qualquer coisa do tipo…silencie! Ah, e não esqueça de tirar o maior proveito possível dessa situação.

Inquieta. Estudante de filosofia. Amante do saber. Amiga da sabedoria. Repleta de dúvidas. Angustiada.
E-mail: dinha.filosofa@gmail.com






9 respostas so far ↓
Tyrannosaurus // Janeiro 20, 2008 às 2:20 pm
Seu silêncio é a vitória daqueles que querem silenciá-la.
Angustiada Consciência // Janeiro 20, 2008 às 5:18 pm
Mas se for o caso de eu querer o silêncio?
Tyrannosaurus // Janeiro 21, 2008 às 11:46 am
Sim, você tem essa escolha, e às vezes é mesmo melhor calar.
Mas para aqueles não importará quais sejam suas razões, só importará que conseguiram seu silêncio.
Angustiada Consciência // Janeiro 21, 2008 às 3:02 pm
Quando eu penso estar fazendo o errado, tento consertar e faço diferente. Mas vem você e me diz que a forma que eu estava fazendo era a correta. Isso tudo é para eu ”incorporar” a dialética? Parece ironia. De qualquer maneira, eu sempre faço o que me deixa mais parecida comigo mesma.
Jonas Júnior // Janeiro 22, 2008 às 12:55 pm
Discutir gostos e posições é uma grande perda de tempo. Quando me perguntam que tipo de música eu gosto, digo que gosto de música boa (óbvio rsrsr) não importando o estilo e origem. No geral, é isso msm, uma grande perda de tempo, não se chega a lugar algum.
E a Trilogia Bourne é muito próximo do real, segunda minhas pesquisas. Para maiores informações sobre o sistema que minha amiga se referiu digitem no Google “Echelon”.
Tyrannosaurus // Janeiro 22, 2008 às 2:24 pm
Ao ler seu post vi a possibilidade de você estar silenciando não por achar que essa era a postura correta mas talvez por ter desistido de falar por algum motivo. Por isso fiz aquele comentário.
Angustiada Consciência // Janeiro 22, 2008 às 4:50 pm
Ah, entendi. Obrigada pelos comentários.
Fenéco // Janeiro 24, 2008 às 10:38 am
Se te silencias a ti própria porque queres evitar ser julgada pelas tuas posições, então isso é oferecer de mão beijada a vitória aos outros. Algures no futuro, terás de tomar uma posição e de expor aquilo que pensas, cedo ou tarde isso acontecerá, portanto eu diria que é melhor que progressivamente assumas como filosofia de vida, não silenciar ou calar quando questões sensiveis e pelas quais as pessoas muitas vezes se crispam, aparecem nas conversações.
Angustiada Consciência // Janeiro 24, 2008 às 1:26 pm
Sim, Fenéco. Pode ser. Geralmente diz respeito à alguma questão superficial e não tenho necessidade de responder com os mesmos argumentos (sérios e duros) que uso para expor minhas idéias. Então para não ser ”tachada”, rotulada, prefiro silenciar. Mas sabemos que em algum momento isso muda. Alguém vai apontar o dedo na minha face e dizer: ”responda”. Talvez eu comece a rir e diga: ”eu sabia que essa hora iria chegar”. hehe
Obrigada pelo comentário.
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