Dúvidas & Angústia.

Filosofia Pop e ‘‘Nihil’’

Fevereiro 10, 2008 · 13 Comentários

Neste texto pretendo desenvolver uma observação acerca do comportamento de muitos jovens, principalmente alguns com os quais convivi.

Atualmente existe uma deficiência enorme no que tange às relações humanas e isso se deve principalmente a forma como os jovens encaram a vida. Jovens intelectuais por muitas vezes estão substituindo todo o vigor que residia em seus espíritos revolucionários por uma resignação. Eles abandonaram todas as suas crenças e se tornaram céticos quanto aos seus futuros, deixaram de fazer planos e começaram a viver sem maiores pretensões, muitos até respondem quando são questionados sobre planos: ‘‘Nenhum’’.

Na medida em que o homem atualiza seus interesses ele percebe que a maioria é ‘‘possível’’ de ser realizada mas, em determinados momentos, a ‘‘percepção’’ do conceito de possibilidade muda. Isso muitas vezes acontece por alguma decepção na esfera social; costumo dizer que basta algum dos extremos (muito sucesso ou grande fracasso) com relação ao social para que conheçamos alguém.

Eu estou mais de acordo com quem fala que o ser humano não é razão, na verdade, penso que ele conquista razão ou a razão conquista ele. Não sei. O fato é que num sentido geral ou social é mais fácil ter ordem, mesmo que essa ordem não seja bem o que as pessoas costumam entender por ordem. Não adianta muito achar que as mazelas vão acabar porque não vão.

Mas voltando aos jovens: eles não pensam a necessidade e, se pensam, não fazem nada para que suas necessidades estejam à frente da possibilidade. Explico: não é porque o jovem é jovem que ele deva esquecer toda a forma premeditada simplesmente por gostar de se jogar às aventuras. Repito: a maioria das vezes em que um jovem muda a sua postura é porque sofreu uma decepção. ‘‘Ah coitadinho, ficou frustrado.’’ Nada disso, a responsabilidade é dele. Muitos podem até dizer: sou indiferente. Será? Não é bem o que gosto de fazer, mas se for feita uma análise na vida da criatura em questão, independente do tempo, identificaremos algum problema.

Negação.

A negação existe aqui como um jogo presente em todo momento. É a cultura pop versus nihil. Mas, sinceramente, a situação está tão complicada que penso ambos são sinônimos.

Eu vejo como um choque entre o que o jovem é, o que o jovem deseja ser e o que o jovem deveria ser. É bobagem negar a influência que a cultura exerce na mente dos adolescentes. Parece que estou lendo um livro de história sobre a contemporaneidade. Igual aos jovens que lutavam por um Brasil melhor, mas totalmente influenciados por ideais importados (made in Europa, em épocas como o ‘‘Iluminismo’’). Inclusive, se forem entrevistados ou se uma pesquisa for realizada, eu já sei o resultado: muitos (principalmente se tiverem um pouco de noção de história) são extremamente ‘‘simpáticos’’ com a Alemanha, por exemplo. É quase uma doença. Muitos se identificam com idéias do velho Hitler, sem saberem que Hitler não foi nada, digamos que ele foi um ‘‘Tiradentes’’ da Alemanha, levando em consideração que aqui, pelo menos, Tiradentes é lembrado. Hitler na Alemanha? Nem isso.

O interessante é que sempre pode surgir algo pior. Antes eu achava que eram os ‘‘relativistas’’, mas agora existem os ‘‘niilistas’’. Quer algo mais interessante ainda? Os de lá pensam que os daqui (incluindo eu) são decantes e os daqui (incluindo eu) pensam que eles são decadentes. Eu estou falando como se tivesse mais alguém, além de mim, que vai contra à postura dos jovens, mas é porque eu fico decepcionada com talentos desperdiçados. Nossa, muitos deles são inteligentíssimos. Isso não garante nada, eu sei. Mas se buscassem aproveitar com certeza seria um pouco melhor.

No texto de Ernst Tugendhat intitulado ‘‘Nietzsche e o problema da Transcendência Imanente’’ encontrei mais uma janela para enxergar ‘‘lá fora’’ de maneira mais clara. E principalmente que Nietzsche é o Rei da filosofia pop. O que ele menos queria, diga-se de passagem. Segue trecho do texto de Tugendhat:

O sentido da vida consistia antes, precisamente, na relação com o transcendente sobrenatural, ou seja, com Deus. Nietzsche mantém, porém, que se já não podemos manter esta crença, nossa vontade cai primeiro num vazio, no nada. Ele ainda diz: “Antes de nada querer, a vontade quer o nada”. Isto é o que Nietzsche chama de “decadência” ou “niilismo”. Aqui o conceito do transcender humano, do ir além, adquire um sentido mais amplo. O conceito básico é agora o de estar dirigido a um sentido da vida e o fato de que este sentido consista em algo supra-sensível é só um conteúdo entre outros. Nietzsche estava convencido de que o homem necessita para viver de um sentido da vida e, por isso, viu a sua tarefa numa reavaliação dos valores, segundo a qual os homens deveriam ver o sentido da vida na própria vida. Ao invés de obedecer aos valores dados (valores supra-sensíveis), o homem criaria seus valores. Isso significa que a transcendência para o sentido da vida voltar-se-ia para o interior do próprio ser humano. Poder-se-ia, então, falar de uma transcendência imanente, quer dizer, de um ir além que precisamente não seria um ir a algo além do natural, mas um ir além do ser do homem.

Quando ele fala de uma ‘‘transcendência imanente’’ é para identificar o Super-homem que Nietzsche tanto almejava como alguém que não tinha fórmulas ‘‘externas’’, mas que criava fórmulas para si, somente para si. Eu coloquei o texto que traduzi ‘‘Nietzsche iria rir’’ e nesse texto também fica claro que os valores aos quais Nietzsche se referia eram totalmente ligados aos costumes e cultura, cultura essa marcada por (como costumo dizer) fábulas que trabalham com o medo e maquiam isso de ‘‘busca pelo bem’’. Por isso que fica no texto a idéia de que ele iria rir daqueles que falam de ‘‘moralidade sem Deus’’. A cultura como produto objetivo, resultado do social se fosse pensada sem Deus seria objetiva ainda, mas totalmente ligada ao sujeito, não à transcendência sobrenatural. Nietzsche se importa com o Ethos, com o que há de genuíno (se confrontarmos com moral e com ética).

Aí que há um problema para mim. Pois vejamos: se Nietzsche, como crítico do Iluminismo, denunciava o mal que havia quando todos aqueles falavam em nome de um ‘‘bem maior’’, de um ‘‘futuro melhor’’, Nietzsche indo contra a todo mundo, então, será que os jovens estão certos? Eles devem criar para si uma espécie de defesa contra toda e qualquer tentativa de dominação? Muita gente fala sobre como seria possível a realização da transmutação de valores à qual Nietzsche se referia. Será que ela só é possível se existir antes uma negação extrema, caracterizada como ‘‘niilista’’?

Bom, eu acho que a transmutação de valores não é possível. Talvez fosse possível em outras épocas que eram definidas mais por revoluções econômicas, anseios culturais. Acho que atualmente não existe mais isso. A fraqueza faz as pessoas se unirem, diria Nietzsche. E é aí que os jovens erram. Já são muitos que não fazem nada, que abdicaram de seus desejos por não  concluírem alguns. São muitos os jovens que morrem de tédio e que não têm perspectivas de vida. Até agora falei dos jovens que ‘‘pendem’’ mais para a classe intelectual mas, mesmo os de classes não elitizadas, são também alheios a maiores desejos. Muitas vezes falam com palavras de impacto, tais como: liberdade de expressão, consciência social. Mas a ‘‘liberdade de expressão’’ desvanece tão rápido como uma nuvem de fumaça quando alguém expõe uma opinião diferente. É só acompanhar um pouco a posição de artistas de RAP ou bandas famosas de rock e até mesmo adolescentes que participam de ONG’s a favor dos mais variados temas.

Pouca gente sabe viver sua vida sem se importar com as vidas de outros. Por isso são infelizes. Mesmo aqueles que erguem as bandeiras de indiferença, niilismo.

Como eu digo: o problema não é com o social. Mas com as pessoas que se importam demais com o social. Obviamente não vou dizer que tudo é individualismo, pelo contrário, defendo que as pessoas devem reconhecer os outros. Mas, acima de tudo, devem saber o que é importante para si. Por isso falo da necessidade, por isso falo que devemos saber o que tem real importância. A vida não é feita apenas de contingências.

Tugendhat está certíssimo quando fala no texto sobre ‘‘dominação’’, ‘‘vontade de dominar’’. Tugendhat diz:

Ainda que admitíssemos que a motivação de toda ação humana é egoísta, não parece plausível que a meta de todo egoísmo seja o domínio dos outros.

Ou seja, existe um egoísmo no sentido que é diferente do comumente utilizado. Não é o egoísmo que pretende dominar nem que quer tudo para si, mas o egoísmo como ação daquele que pensa no melhor para si, que vive sua vida, que sabe que não vai mudar o mundo com o peso de suas pretensões. Que independente da fraqueza espalhada pelo mundo, a sua fortaleza (e assim podem chamar do que quiser: ego, impulso de viver, força) é maior.

Provavelmente o espírito forte não é o que abandona a vida, mas também não é o que coloca muito valor na vida. Como diria uma professora que palestrou num simpósio aqui em Fortaleza: ‘‘Declínio & Crescimento – Ao mesmo tempo’’. Como já diria alguém:‘‘O único pensamento que sobrevive é aquele que se mantém na temperatura de sua destruição!’’. Ou seja, a idéia que pode vir a ser efetivada. É aquele que, mesmo destruído, permanecerá para sempre na história, permanecerá porque foi concretizado.

[Esse texto pode muito bem ser visto como um ‘‘Niilismo’’ revisitado. Melhor que o niilismo vendido por aí.]

 

  • E não esqueçam : ”Mastigar e digerir qualquer coisa, isso é tarefa dos porcos.”

Porcos

****

Outro texto parecido, mas com termos mais técnicos encontra-se aqui.

Categorias: Filosofia
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13 respostas Até agora ↓

  • ohermenauta // Fevereiro 10, 2008 às 9:27 pm | Responder

    Interessante, Dinha.

    Há muito tempo, em um blog anterior ao que eu tenho atualmente, eu também cheguei a escrever sobre o espanto que me causam alguns jovens atualmente _ especialmente, os da direita blogueira. Eu já não sou jovem _ há muito tempo, aliás. E me vejo, surpreso, alcançado por uma manifestação espantosa do “generation gap” _ algo que eu jamais imaginei que ia me tocar um dia.

    Na verdade, não sei bem se estamos falando da mesma coisa. Acho que vou ter que digerir melhor seu texto ainda. Abçs! :)

  • Angustiada Consciência // Fevereiro 11, 2008 às 5:01 pm | Responder

    Pode ser, hermenauta. Não sei como vou enxergar isso noutra época, se isso é normal, enfim…

    Mas senti necessidade de falar. Entende?

    Obrigada por ter visto o texto – como eu te pedi. E por ter comentado. Beijo.

  • Marcio Moya // Fevereiro 15, 2008 às 12:29 am | Responder

    Jovens, quem são eles?

    Sabe, até um tempo atrás chamava eles de inconsequentes, mas acredito estar errado. Quando falamos de jovens (tenham a nossa idade ou menos) estamos falando da sociedade de modo geral, de nós mesmos em muitos casos.

    Varias vezes já me peguei perguntando em que mundo vive esses seres perversos que são os jovens, afinal eles parece não se importarem com nada. Na verdade se importam, e estão tão ocupados com aquilo que importa a eles que não se importam com as coisas que gostariamos que eles se importassem.

    Mas com o que eles deveriam se importar?

    Educação? Saúde? Politica? Com o que?

    Nossos pensamentos dão voltas, examinam diversos “porques?” varias e varias vezes, tentamos resolver, achar soluções pra tudo, queremos entender o que acontece a nossa volta, queremos saber. Mas o engraçado é que tudo está na nossa frente e não vemos.

    Basta olhar para a sociedade, basta olhar o ambiente que está sendo criado para esses jovens crescerem. Basta olhar como se estrutura uma familia hoje, ao que eles dão valor. Basta observar quanto tempo os jovens passam reunidos com suas familias.

    Para entender a cabeça de um jovem não é preciso girar muito, basta se voltar para ele. Veja como cresce, suas relações com as pessoas. Basta entrar em uma escola ou em algumas, passar por escolas publicas e particulares.

    O mundo muda, a sociedade muda, as pessoas mudam, alguns reclamam quando algumas pessoas permanecem seguindo “valores antigos”. Mesmo assim, quando surgem aqueles que criam seus valores da forma que mais lhe agrada, ainda reclamam.

    O problema não são os jovens, são as pessoas que cuidam deles, ou melhor, que deveriam cuidar.

    É dificil ir contra algo que te ensinam desde criança, desde o dia em que nasceu. Esses jovens são o reflexo da sua crianção. Foram educados para ser como são hoje. Não é lindo como eles aprenderam rapido?

    Atenciosamente
    Marcio Moya

  • Angustiada Consciência // Fevereiro 15, 2008 às 3:48 pm | Responder

    Ah, Marcio… Eu não sei se posso concordar com isso de ”educação”, pelo menos não em todos os sentidos. A maioria a que me referi não recebe acompanhamento dos pais, não existe nem tanto esse peso cultural. Principalmente porque quando recebem, se revoltam.

    A educação é falha sim, mas não entendo como isso pode conferir o caráter de indiferença nesses jovens. Aí sim a cultura divide-se em ”cultura dos mais velhos” e cultura criada pelos e para ”os mais jovens”. E o pior: muitos não se dão conta disso, acham que estão simplesmente sendo eles mesmos (risos), estão totalmente imersos na esfera que eu poderia chamar de ”não-identificação”.

    Os jovens reagem de variadas formas às banalidades do mundo comteporâneo, uns se afogam no mar de informações (muitas vezes sem utilidade nenhuma) da internet, por exemplo. Já outros se jogam a tudo que representa efemeridade, mas no sentido real. Mas poucos pensam a necessidade. Foi pensando nisso que eu escrevi o texto.

  • Marcio Moya // Fevereiro 15, 2008 às 5:18 pm | Responder

    Eu imaginava que não concordaria.

    A educação acontece a todos os instantes da vida de uma pessoa, até mesmo durante as coisas mais banais e corriqueiras. Porque existem jogos que são proibidos? Acreditam que durante a formação de uma criança, a contato diaria com algo que estimule a violência irá fazer com que essa criança cresça tendo aquilo como normal e natural. Digamos que a base de sua educação foi explodir, retalhar, matar, etc, as pessoas que cruzam seu caminho. Ainda podemos colocar que a qualquer momento que a sua vida(dentro do jogo) for tirada ele irá ter outra, se não gostar do que fez basta apertar um botão e começar tudo de novo. A maioria olha para o lado da violência dentro dos jogos. Porém essa criança cresce acreditando que com apenas um botão ela pode alterar muitas coisas, resetar a sua vida. Mas esse efeito ninguém nota, ou pelo menos parece não se importar porque pensa ser “pequeno” para influencia de alguma forma.

    Uma criança acorda pela manhã e a primeira pessoa que ela ve é a empregada. Apesar de ser a pessoa mais velha, fazer seu café da manhã, cuidar das suas roupas, preparar seu almoço é a pessoa que recebe ordens. Quando vai pra escola encontra novamente um adulto, que apesar de ser a autoridade dentro da sala, também está sujeito a escutar muitas coisas, afinal sabemos que existe uma frase que anda tomando conta das escolas particulares em momentos de discussão com o professor “eu pago o seu salario!!!”. Isso acontece muito, a escola particular é um comercio, e como uma diretora de uma colégio particular me disse “eles são nossos clientes”. A noite quando o pais chegam acontece algo magico, ninguem se olha, os jovens trancados em seus quartos ou largados pela rua. Porque vão responder alguma coisa a seus pais? A maior parte do tempo que eles passam com adultos eles se sentem superiores, porque com os pais seriam diferentes?

    A gente pode pensar que isso não é nada. Você disse que não sabe como isso pode pode criar um caráter de indiferença nos jovens. Mas porque eles não seriam indiferentes? A primeira coisa que eles deveriam aprender a não ser indiferente é com a família. Se eles não se importam com aqueles que estão tão próximos a eles, porque vão se importar com os outros? Aqui entra o caso que você disse “não existe nem tanto esse peso cultural. Principalmente porque quando recebem, se revoltam.”, claro que se revoltam, nunca receberam atenção, quando acreditam não precisar mais de atenção isso só vai incomodar.

    Sem falar na tortura que recebem diariamente. A adolescência é o periodo que eles procuram se identificar, se conhecer, se descobrir. Sempre procuram estar com aqueles que são mais parecidos com eles. Você acha que eles vão querer estar do lado dos pais que mal conhecem? Vão procurar a sociedade para dizer o que estão sentindo e querendo? Já seu, vão para a escola para aprender, receber um ensinamento sagrado que é capaz de dar um sentido a sua vida. Não, isso também não.

    A sociedade coloca os jovens como inconsequentes, delinquentes, baderneitos, etc. Diz que o que ouvem não é musica, é barulho, que o que vestem não é roupa, são trapos. Dizem(me coloco aqui) que não tiveram infância, não souberam aproveitar quando criança. Que não pensam no presente e não fazem nada produtivo. Que não pensam no futuro e nunca vão ser ninguem. Você acha que isso não é educação? O que se aprende ouvindo essas coisas?

    Ensinaram a eles o que não se deveria ensinar, e como podemos esperar deles o que gostariamos o que fizessem? Educar é mais do que obrigar uma criança ir pra escola. Dar carinho e atenção é uma forma de educação. Se importar e ouvir é uma forma de educação. Dar exemplos, incentivos, apoio. Não acho que a indiferença seja genético. Ensimos a indiferença com gestos e não queremos que sejam indiferentes.

    Os jovens gritam, fazem bagunças, usam roupas estranhas, mas em algum momento alguém parou pra perguntar porque gritam? Alguém parou pra perguntar o que significa aquela roupa? O porque dos exageros? Alguém um dia já observou os abusos que as crianças sofrem? Será que isso não irá contribuir para a formação dessa criança? Eles querem atenção, e a unica coisa que fazemos é reprovar suas ações.

    Atenciosamente
    Marcio Moya

  • Angustiada Consciência // Fevereiro 15, 2008 às 8:36 pm | Responder

    Marcio, argumento tapa na cara? haha Mas você me pegou agora.

    Sim, concordo com uma nova forma de ver a educação e sua influência na formação de um ser.

    Mas não, ainda defendo que não podemos estender o que foi levado em consideração à um nível educacional, tão somente. Por exemplo: uma pessoa pobre, que pode muito bem não ter perspectiva de vida, é mais ligada à realidade do crime, a outras formas de vida.

    Agora, e o rico? Será que muitos políticos são ensinados a ”roubar” também? Acho que não, isso é muito melhor justificado pelo caráter de cada um e pela possibilidade de ter poder, dinheiro, influência.

    Se analisarmos melhor, não é bem o ”reprovar ações”, mas a forma com a qual cada um se comporta diante de extremos. As pessoas – independente da idade – têm que saber que o mundo não é feito apenas de ”iguais”. Isso não há ensino nenhum no mundo (a não ser educação – no melhor sentido do termo) que transmita. É vivência mesmo. Nem é costume, pois se observamos, o Estado (por exemplo) não interessa-se por promover a união de diferenças, mas é a vivência de um povo, de um cidadão, de qualquer criatura com vida. Não falo aqui dos vegetais – se é que você entende o que quero dizer. Vegetais seriam humanos que não estão nem aí para nada. Pode ocorrer ameaça de bombardeio do lado deles, que eles nem se importam.

    É tão complicado, Marcio.

  • Angustiada Consciência // Fevereiro 15, 2008 às 8:37 pm | Responder

    Ah, obrigada pelos comentários. Você sabe o respeito que tenho por você.

  • Marcio Moya // Fevereiro 15, 2008 às 9:48 pm | Responder

    A classe social não é o principal fator na formação do caráter de uma pessoa. Não é o dinheiro que leva alguém a matar ou a ser corrupto. Se fosse assim pobres seriam marginais e ricos seriam santos (ou seria o contrário?), mas a gente sabe que porque uma pessoa é pobre não quer dizer que será marginal e nem um rico será santo. Sendo assim o dinheiro não transforma ninguém, a não ser que tenha sido educado para isso.

    Ao longo da vida uma pessoa pode mudar seus valores, mudar o seu foco. Como você coloca, a vivência tem um forte poder sobre as pessoas. Se você passa a ter muito contato com uma determinada pessoa, você começa a incorporar certos aspectos dessa pessoa, se o contato é com um grupo de pessoas, e esse grupo tem um certo comportamento, você passa a agir de acordo com esse grupo, e assim vai. No meio de uma torcida em um campo de futebol, junto a um grupo de pessoas que assiste a um discurso inflamado, sentado no banco de uma igraja, no meio do transito, seja aonde for, você geralmente passa a agir como a maioria.

    Dai você tem uma criança, seja rica ou pobre, que não tem nenhuma estrutura familiar, que o descaso dos pais só não é maior porque não passam mais tempo junto dos filhos, começa a conhecer grupos de pessoas que passam a exercer forte influência sobre essa criança, esse grupo de pessoas não quer saber de nada, você acha que essa criança vai fazer o que? Chorar, molhar as calças e ir correndo para os braços dos pais, ou ela vai começar a agir igual?

    Existem casos e mais casos, e analisar todos nos levaria a dias e mais dias de discussão, mas podemos reduzir e generalizar algumas coisas.

    Toda regra tem sua exceção, mas pra mim não existe educação se a família não estiver presente. Caso contrário só vão estar botando coisas na cabeça das crianças, seja dentro ou fora da escola. Não falo só pela educação que tive em casa, mas por tudo que já vi, já fiz estágio em escolas publicas, e não são poucas as crianças que tinha problemas em casa, que apanhavam, que os pais eram alcoólatras, e assim vai. Pude ver o descaso dos professores, e teve dois casos em particular, um com uma professora e outro com uma orientadora, só não peguei pelo pescoço as duas porque eu estava muito calmo nesses dias. As crianças gritavam por atenção, qualquer professor que trate essas crianças com carinho, vai conseguir muito mais delas do que gritando com elas e as humilhando.

    Não acho que ensinar qual é a trajetória que uma bola de canhão faz, como é a estrutura de uma célula, a capital de países ou qualquer outra coisa do tipo vai fazer uma pessoa ser melhor, vai fazer com que se torne menos indiferente as coisas a sua volta, talvez ajude a passar em um concurso publico no futuro ou entrar na faculdade, quem sabe ganham algum dinheiro em programas de TV. Acho sim que deveria ter filosofia desde a pré-escola, talvez isso tenha mais efeito do que mudar o sistema de ensino ou comprar livros novos.

    Eu não defendo ninguém, sei como os jovens estão se “destruindo” por assim dizer, e também acho terrivel muitas coisas que vejo por ai, o que fazer e o que deixam de fazer. Mas eles não são a causa de nada, são apenas efeito de uma sociedade que não sabe o que quer da vida.

    Dizem que no Japão as coisas dão certo, que lá eles tem um ensino de primeira e por isso que são um país de primeiro mundo. Eu fico mais com o lado cultural deles, suas crenças, valores. Pra mim foi isso que fez com que se reerguessem depois da guerra.

    O problema é que estou cansado de ver as críticas sobre jovens. Eles não são santos e nem devemos encarar como tal. Não é só uma fase da vida deles e não devemos deixar fazerem o que quiser por causa disso. Simplesmente vejo muito mais do que a maioria quer ver ou consegue. Falar mal deles é a mesma coisa que ficar de frente para um espelho falando mal de quem apareceu lá. E o pior, diante do espelho ninguem lembra que existe algo que da algum tipo de suporte pra ele ficar ali. Talvez a parede esteja podre e caindo aos pedaços, velha e precisando de reformas, mas ainda assim falamos sobre o que vemos nos espelho.

    Atenciosamente
    Marcio Moya

  • Marcio Moya // Fevereiro 15, 2008 às 9:54 pm | Responder

    É ótimo ter um lugar pra trocar uma idéia, até um tempo o orkut foi bom pra isso, mas sempre tem aqueles que só sabem atrapalhar. Você me tirou do tédio huauhauha

    Quer goste ou não vou continuar por aqui :P

  • Angustiada Consciência // Fevereiro 16, 2008 às 10:45 am | Responder

    ”O problema é que estou cansado de ver as críticas sobre jovens. Eles não são santos e nem devemos encarar como tal. Não é só uma fase da vida deles e não devemos deixar fazerem o que quiser por causa disso.”

    Eu concordo plenamente, Marcio. Eu não costumo apontar bodes expiatórios e não seria essa a primeira vez. É fácil para mim analisar a situação do jovem descartando alguns dos vários fatores que têm influência decisiva na vida deles, aliás, acho que é mais isso que os políticos fazem quando querem ganhar votos. Falam de planos primordiais como Educação, Saúde ou Segurança. Mas só colocam um e ainda é precário. No entanto, ainda acho que a educação é o primordial, muito mais além do que a miséria, porque uma pessoa miserável é mais difícil de se educar do que uma pessoa educada e miserável, entende? Por mais que muitos não pensem em crescimento econômico, mas pensam em crescimento intelectual, em perspectivas de vida. E isso é bom. Sempre existirão situações injustas – no tocante à política, economia, educação, etc. Mas se a pessoa possui um pouco de educação, ela vai saber que – de alguma forma – ela pode usar a educação para mudar. Nem que seja para boicotar o sistema. :)

    Mas que lutem. Em alguma música do Natirutz, falam: ”quem planta o preconceito, medo e indiferença, não pode reclamar da violência”. É bem por aí que eu penso. O mundo está muito banal, é tão difícil encontrar um ‘’sentido”, mas com certeza a indiferença, o ”niilismo”, etc., não são atitudes de ”bom-senso” [de seres racionais].

  • Marcio Moya // Fevereiro 16, 2008 às 11:44 am | Responder

    Bom, você me pegou em um momento de inquietação emocional, o que me deixou um pouco mais agressivo que o normal… agora aguenta huauhauh

    ”quem planta o preconceito, medo e indiferença, não pode reclamar da violência” ótima colocação. Sabe, não consigo olhar para a sociedade de outra forma. Milhares e milhares de pessoas reclamam, criticam, falam mal de alguma coisa. Seja da seleção brasileira, do transito, das chuvas ou das secas, das escolas, das prisões, fome, violência, saúde…. e por ai vai.

    Se reclamar fizesse a gente chegar a algum lugar o nosso país estaria além do primeiro mundo, na verdade o Brasil estaria flutuando de tão foda que seria. Mas por algum motivo irônico que só a vida sabe explicar, afinal as pessoas não conseguem explicar muitas coisas mesmo, não é isso que acontece.

    Eu posso dizer que estive dos dois lados, dos que atacam algo e os que defendem algo. Esse algo seria qualquer coisa. Hoje fico em cima do muro. Não por não saber escolher um lado, mas para mediar discussões. Não importa o assunto, eu me infiltro rapidamente nos dois lados, pego um pouco de cada e jogo por cima desse muro. As pessoas não conseguem ver muitas coisas enquanto não sobem no muro sabe. Ficam olhando pro seu umbigo, muitas vejo sujo e mal lavado, e se acham com direitos de sobra pra jogar pimenta nos olhos dos outros.

    Não importa aonde se vá, parece não ser possível encontrar um infeliz que seja falando algo com o sentido de “solucionar um problema”.

    Quer mais ironia. Em geral são as pessoas com menos educação(educação escolar) que são mais solidárias e atenciosas. Já reparou como a maioria das pessoas cultas, de alto nível social, com os mais diversos tipos de formação, em geral são frias. Não dão um passo sem calcular os fatores de risco. Emoção X Razão. Uns ajudam pelo que sentem, outros teorizam o que podem sentir se fizer ou não.

    Eu sou o tipo de cara que acredita que tudo tem solução. Legal, sou um otimista. Não por achar que isso é mais bonitinho, mas por ver coisas simples. Acredito que coisas simples podem mudar qualquer coisa, afinal as complexas nem todo mundo entende mesmo.

    Vejo nas escolas o ponto de partida para isso. A escola de modo geral é a incubadora do que se irá encontrar na sociedade. Tudo passa pela escola antes, ganha força, se modifica, e sai para a sociedade.

    Exemplo: Em comunidades carentes, onde os pais não tem muita instrução, ele só ficam sabendo sobre reciclagem, o que é e como fazer, quando ensinam para seus filhos na escola, e através de campanhas as crianças levam essa idéia pra casa. Ou será que ainda tem gente que acredita que propaganda do ministério da saúde, manifestações defendendo o meio ambiente divulgadas na TV são a chave para a salvação do mundo?

    Esse exemplo que dei não foi só o que fiquei sabendo de varias pessoas em vários lugares, pessoas do curso de biologia que comentaram isso durante suas aulas. Mas esse habito foi visto pelo meu irmão em um projeto que ele fez em uma escola de uma comunidade simples.

    Já pensou que legal seria que se fossem feitas campanhas para desenvolver o lado emocional das crianças e essas por suas vez levassem isso para casa? Como seria interessante ver projetos trabalhando com a sensibilidade das crianças? Desenvolvendo coisas simples. Fazer uma campanha da corrente do bem. Porque não?

    A gente fala dos jovens, mas quando falamos deles parece que esquecemos que um dia eles terão filhos, provavelmente terão, seja planejado ou não. A gente esquece que a criança que vai entrar na escola esse ano um dia terá filhos. A gente pensa muito no hoje, eu quero, eu acho, eu vejo. Legal, que bom que todo mundo tem essa capacidade mágica de ver o seu presente. O problema é que quando se fala em futuro, a gente fica falando que vai faltar água e o mundo será mais quente. Só falamos sobre nossos filhos, ou os filhos dos nossos filhos quando em uma jogada meramente sensacionalista tentamos enfiar goela abaixo que se não cuidarmos do mundo hoje nossos filhos não terão um mundo amanhã.

    O mundo é cruel, o coisa feia, como o mundo é cruel. Opa, eu faço parte do mundo. Isso me faz ser cruel? Depende, talvez sim talvez não. Mas o que ninguém parece saber é o poder das palavras, principalmente das palavras que são ditas sem pensar. Ninguém mede a profundidade das suas palavras. E o que ninguém acaba percebendo é que, aquele jovem que é torturado quando indagam que ele não é nada, que não teve passado, e que provavelmente não terá futuro, realmente, a possibilidade de que ele tenha um futuro é massacrada com essas palavras. Mas preferimos dizer que isso é coisa de bixinha, fresco talvez, onde já se viu, se deixar levar por um punhado de palavras.

    Nós fugimos de nossas responsabilidades quando em um ataque de furia diante a uma imagem chocante falamos “isso não pode ficar assim, alguém tem que fazer alguma coisa”. Maldito infeliz, você tem que fazer alguma coisa. Criticamos tudo, mas o que fazemos em relação a tudo? Nada. Não fazemos nada. Se as pessoas fizessem na mesma proporção que criticam ou desacreditam algo, não teriamos problemas. Mas parece que existem duas classes de pessoas, as que criticam e as que ouvem criticas e fazem alguma coisa. Parece, mas não tem.

    Os jovens são o que? Fazem o que? Porque fazem o que fazem? Porque são o que são? Porque não são o que queremos que sejam? Porque tem que ser como queremos que sejam? Porque não podem ser o que são? E por fim a resposta gritante da sociedade…. Porque não!!!! As vezes fico esperando que lá no fundo alguém diga “Porque Deus quis!!!”. Pelo menos seria uma resposta concreta, simples, mas tem mais fundamente que os milhares de “Porque não!!!” se escuta por ai.

    Reclamar é valido, mas para cada reclamação deveria existir uma ação, e não somente a ação de reclamar, talvez a ação de se fazer ouvir, ou quem sabe de fazer acontecer algo diferente.

    Talvez tudo isso seja um reclamação minha, um grito desesperado por ajuda. Alguém pedindo que surja alguém que mostre algum tipo de solução pra alguma coisa. Ou simplesmente que apareça alguém que tente achar alguma coisa junto comigo.

    Atenciosamente
    Marcio Moya

  • Angustiada Consciência // Fevereiro 17, 2008 às 11:08 am | Responder

    Eu acho o seguinte, Marcio:

    o estado como um todo orgânico não faz questão de ”diferenças”, toda e qualquer diferença é logo expulsa, como se fosse um mal, sabe? Imagina o nosso organismo, quando tem algo diferente, logo acontece um processo de expulsão.

    Por isso acho que a maneira que devemos agir, tanto jovem como alguém mais experiente, não é querendo acabar com tudo (anarquia) e muito menos querendo mudar tudo, mas se adaptando e penetrando cada vez mais na lógica do sistema, até que aprendamos a caminhar com nossos próprios pés.

    Lembra que uma vez você disse para mim que eu teria que mudar um pouco para o mundo mudar comigo? Acho que isso ainda é bem válido.

  • Marcio Moya // Fevereiro 17, 2008 às 1:55 pm | Responder

    Provavelmente não foi pra mudar um pouco que eu tenha dito, mas que devemos ser a mudança que queremos para o mundo, assim como diz Gandhi, ou ainda como na musica de Gabriel o Pensador, “muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente”. Mudar um pouco seria como trocar o lado de um disco, as musicas são outras, mas ainda é o mesmo disco.

    Assim como o corpo, o estado não consegue expulsar tudo, sempre existe algo que fica para trás. Acho que essas coisa que o estado tenta expulsar são aqueles que vão contra o “sistema” (a quanto tempo não usava esse termo), mas engraçado pensar que muitas coisas não são expulsas, o que vão me dizer que é estratégia do estado para manter a sociedade presa. Mas a sociedade muda, logo o mundo muda com ela. Afinal o mundo anda muito banal. Mas a sociedade reclama da banalidade, mas não expulsa. Talvez aqui voltemos para o ponto que ninguém faz nada pelos outros, do comodismo e assim vai.

    O descaso, e falo da sociedade em relação a família, é que trás a banalidade para o mundo. Procuramos em nossos discursos achar um problema causador de tudo, como se esse problema estivesse logo atrás da causa, o que tenha um bilhete no “rabo” do problema dizendo “tudo começa aqui”. A gente não consegue ver a reação em cadeia que existe por trás de uma simples negação. A gente não acredita que virar as costas para uma pessoa pode fazer com que ela mate alguém(como já me disseram varias vezes isso é um absurdo). Mas pessoas já morreram no transito por buzinar.

    A gente se preocupa com a divina iluminação do conhecimento. Temos costume de dizer que devemos nos armar com livros para combater a violência. Legal, mas dizem que violência gera violência. Que coisa doida.

    De um tempo para cá, o que mais se vê são pessoas desacreditadas em algo passando sua idéia para frente, fazendo com que outras pessoas fiquem desacreditadas em tudo também. Se pessoas experientes desacreditam alguma coisa, a política por exemplo, porque os jovens vão acreditar na política, porque vão se interessar por política.

    Falamos que o trabalho dignifica o homem, que trabalhar é nobre. Legal, falamos isso para tocar os jovens e tentar fazer com que tenha responsabilidade. Mas no final do dia, quando seu pai chega e vê uma cena corriqueira, que se repete a anos, seu pai entra na sala nervoso, batendo a porta e dizendo “não aguento mais trabalhar, esse trabalho me cansa, se pudesse largaria uma bomba lá dentro e mandaria tudo pelos ares”. Isso é legal também, afinal a gente entende que trabalhar é ruim, e vai evitar isso. Isso se chama preservação da espécie. Quando passamos por uma experiência ruim, ou quando recebemos uma informação ruim sobre algo, passamos a evitar aquilo, ou tudo relacionado aquilo.

    Será que ninguém que trabalha na area da educação, qualquer um ligado ao ministério da educação, secretaria ou qualquer coisa do tipo nunca teve uma experiência ruim na vida? Será que nunca ninguém entrou na escola uma vez que seja? Ninguém nunca conversou com um jovem?

    A alguns anos atrás as famílias almoçam unidas, incrível não é, mas aconteceu em algum período sombrio da nossa história. Isso acontecia porque a comida era toda esquentada de uma só vez, era aquela a hora de comer e ponto final. Mas acontecia algo extraordinário naquele momento também, as pessoas conversavam. Os pais sabiam o que acontecia na vida de seus filhos os filhos na vida dos pais, histórias sobre a família eram contadas, as pessoas da mesma família se conheciam. Será que isso pode ter algo relacionado com a juventude de hoje? Não sei, mas eram jovens sentados a mesa conversando com seus pais, e hoje os jovens não isso fazem, nem conseguem ouvir “as velhas histórias contadas pelos pais”. Será que isso pode mudar a cabeça de alguém? Será que nesse momento simples, algo pode ser aprendido? Acho que não existe um estudo cientificamente comprovado sobre isso, então provavelmente muitas pessoas não irão acreditar que isso possa ter alguma influência na vida de uma pessoa, e também porque não apareceu no Fantástico ou em nenhuma revista de fofoca popular. Hoje temos o maravilhoso e revolucionário microondas, cada um come a hora que quer e ponto final, parece que a nossa história ficou mais curta. Mas ainda vão me dizer que só isso não basta, que isso não explica tudo. Ainda bem, porque nem quero que seja assim mesmo.

    Atenciosamente
    Marcio Moya

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