Há pouco tempo eu fiquei sabendo quem é Olavo de Carvalho. Olavo Carvalho como figura pública, diga-se de passagem. A primeira coisa que falaram foi: ‘‘ele é filósofo de Orkut’’. Confesso que achei estranho, mas poderia ser diferente no melhor sentido da palavra…
No entanto, a sensação que eu tive não foi boa e até agora não mudou. Tento explicar o porquê então.
Para começar, o que pensar sobre isto:
Nos anos 90 do fim do século passado, o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho inaugurou uma nova fase na filosofia e no debate intelectual do Brasil. Ao lançar obras filosóficas como Aristóteles em Nova Perspectiva e O Jardim das Aflições . De Epicuro à Ressurreição de César , entre outras, imprimiu no pensamento filosófico brasileiro um rumo completamente diverso da dominação doutrinária impingida pelos autoproclamados pensadores que eram (e são), apenas, professores universitários de esquerda.
Na esfera pública, Olavo seguia (e segue), como já declarou, na tentativa de formar uma elite intelectual mediante aulas, cursos e divulgação de ideias pelos jornais, revistas e site ( www.olavodecarvalho.org e www.midiasemmascara.org )
Tudo bem, como já me avisaram, existe um abismo enorme entre a nossa velha Academia e o que se pode chamar de Comunidade Intelectual. Aliás, eu sempre soube, desde que eu comecei a freqüentar alguns encontros que eram conhecidos por possibilitar à Fortaleza um diálogo com intelectuais de diversas partes do mundo. E mais: pela disputa de egos entre os acadêmicos e os intelectuais. Soube disto quando eu falei a algum professor sobre o tal Simpósio e ele respondeu: ‘‘lá tem tudo, menos Filosofia’’.
Agora palavras do próprio ‘‘filósofo’’ em questão. Olavo de Carvalho diz:
Denomino paralaxe cognitiva o deslocamento, às vezes radical, entre o eixo da construção teórica de um pensador e o eixo da sua experiência humana real, tal como ele mesmo a relata ou tal como a conhecemos por outras fontes fidedignas. Raro e excepcional na Antiguidade e na Idade Média, esse deslocamento começa a aparecer com frequência cada vez mais notável a partir do século XVI, dando a algumas das filosofias modernas a aparência cómica de gesticulações sonambúlicas totalmente alheias ao ambiente real em que se desenvolvem. Um exemplo claro é a teoria de Kant sobre a incognoscibilidade da “coisa em si”. Se não conhecemos a substância das coisas materiais, mas somente a sua aparência fenoménica, que esperança podemos ter de atingir um dia, a partir de indícios materiais, isto é, letras impressas numa folha de papel, a substância da filosofia de Immanuel Kant? Certamente o filósofo de Koenigsberg não se contentaria se apreendêssemos somente a aparência fenoménica da sua filosofia, a qual filosofia, nesse sentido, é radicalmente incompatível com o acto de escrever livros – e olhem que Kant os escreveu em profusão. Por mais coerente que seja consigo mesma, a filosofia de Kant é incoerente com a sua própria existência de obra publicada.
É, nesse ponto realmente parei para pensar sobre a ligação entre o que Kant falou e o que é a substância da filosofia de Kant. Já pensou se alguém que não tem noções mínimas sobre filosofia lê isso? O que pode acontecer? Eu não sei o que pode acontecer, mas pode afirmar que boa coisa não vai ser. No mínimo, a criatura vai repetir erros tão grosseiros quanto o erro do Olavo de Carvalho que, ao tentar expressar sua opinião sobre a filosofia de Kant, beiram ao ridículo. Uma coisa é ler Kant sem tentar colocar idéias que não são do autor e outra coisa é ler Kant, não gostar e sair por aí falando de substância, fenômeno e ‘‘incompatibilidade’’ entre a vida e obra do autor. Kant, coitado, é um autor extremamente deturpado. Ele foi tão claro, mas cometeu o erro de ter uma obra tão rica, tão vasta que qualquer um acha-se no direito de falar da sua filosofia com um relativismo contemporâneo tão banal que pode ser visto como doentio. Espero que um dia ele (Olavo de Carvalho) reconheça algo que alguns pensadores – independente de serem ou não reconhecidos como intelectuais – chamaram atenção, entre eles, Gadamer ao proferir estas palavras: ‘‘Primeiramente, penso que aquele que filosofa tem de ter consciência da tensão entre suas próprias pretensões e a realidade na qual ele está”. Desculpe-me, senhor Olavo, por usar da tua mesma idéia, mas com uma pequena diferença: não ignoro a contribuição de grandes autores da história da Filosofia.
Noutro momento, o senhor Olavo de Carvalho afasta-se um pouco de argumentos grosseiros e provavelmente no que ele chama de aula, é expresso o seguinte:
Mais ingênua, portanto, do que a confiança dogmática do racionalismo clássico no poder cognoscitivo da razão, mais visionária que a pretensão dos místicos a um conhecimento experimental de Deus, é a confiança no poder humano de por em dúvida aqueles princípios que fundam a possibilidade mesma da dúvida. Mais ingênuo que qualquer dogmatismo é o princípio mesmo da filosofia crítica, que pretende estatuir dedutivamente limites contingentes e indutivamente limites necessários. Mais ingênuos do que nossos antepassados, que acreditavam na revelação e na razão, somos nós, que acreditamos em Descartes e em Kant, supondo que a negatividade do seu ponto de partida seja prova de modéstia metodológica, quando ela oculta, na verdade, a mais sobre-humana das pretensões: a pretensão de estabelecer limites absolutos ao conhecimento humano. Pretensão superior à do próprio Deus, que não cercou de grades o fruto proibido, mas o deixou ao alcance da curiosidade de Eva.
Antes de expressar o comentário acima, ele explicitou a filosofia de Kant de forma interessante, ou seja, se comportou como um professor deveria fazer. E mesmo quando ele comentou as suas desconfianças para com a filosofia de Kant, ele não usou de uma argumentação pobre, mas despertou a reflexão, o livre pensar. Alguém já havia me falado que o Olavo de Carvalho tem algumas boas explicações sobre Filosofia e eu não acredito que a pessoa que me falou esteja errada, mas existe uma diferença enorme entre o Olavo de Carvalho falando sobre a História da Filosofia e o Olavo de Carvalho filosofando.
Aqui :
Quando recoloquei em circulação neste país o estudo da arte de argumentar – da qual imediatamente os macaqueadores começaram então a falar no tom de quem tivesse longa experiência do assunto — , não esperava que a palavra “argumento” se transformasse no fetiche em que se transformou. É característico dos macacos intelectuais achar que tudo é uma questão de “ter argumentos”. Nem suspeitam que a argumentação é a parte mais baixa e rudimentar do treino filosófico. Dois argumentos perfeitamente iguais podem expressar idéias diferentes, uma verdadeira, a outra falsa, conforme a representação mental por trás de cada uma. Não existem “sentenças” verdadeiras e falsas: verdadeiro ou falso é o juízo por trás da sentença, o que você está efetivamente pensando – e ao pronunciar uma sentença aparentemente verdadeira você pode não estar pensando nada, ou então pensando uma falsidade completa que, por coincidência, se exprima com as mesmas palavras de um juízo verdadeiro.
Pior ainda quando as palavras que substituem o objeto ausente vêm associadas a valores emocionais e o fulano acha que ao defender estes últimos está “argumentando”. Infelizmente foi isso o que aconteceu na quase totalidade das discussões em que me meti com brasileiros, principalmente “intelectuais”. Argumentos genuínos – eventualmente falsos no confronto com a realidade, mas genuínos enquanto argumentos – só encontrei nos EUA e na Europa. No Brasil ninguém mais sabe o que é isso.
Quando Olavo de Carvalho fala: ‘‘Nem suspeitam que a argumentação é a parte mais baixa e rudimentar do treino filosófico. Dois argumentos perfeitamente iguais podem expressar idéias diferentes, uma verdadeira, a outra falsa, conforme a representação mental por trás de cada uma. Não existem “sentenças” verdadeiras e falsas: verdadeiro ou falso é o juízo por trás da sentença, o que você está efetivamente pensando – e ao pronunciar uma sentença aparentemente verdadeira você pode não estar pensando nada, ou então pensando uma falsidade completa que, por coincidência, se exprima com as mesmas palavras de um juízo verdadeiro’’, eu até entendo o que ele quer passar, muitas vezes também me coloco diante de velhas argumentações que não possuem validade alguma, mas que parecem expressar a verdade mais poderosa, simplesmente pela argumentação e técnica dos locutores. Mas sabemos que muitas vezes o desejo de expressar algo é diferente de expressar esse algo e não podemos confundir isto com ‘‘o que você está efetivamente pensando’’ e o fato de ‘‘pronunciar uma sentença aparentemente verdadeira’’. Compreendem? Espero que sim. Imaginem, as pessoas costumam interpretar de maneira equivocada o que é completamente claro, quanto mais exigir de uma pessoa a interpretação do que a outra está EFETIVAMENTE PENSANDO. Faça-me rir.
‘‘Argumentos genuínos – eventualmente falsos no confronto com a realidade, mas genuínos enquanto argumentos – só encontrei nos EUA e na Europa. No Brasil ninguém mais sabe o que é isso.’’ Talvez Olavo de Carvalho costuma encontrar pessoas que apreciam o genuíno, assim como ele aprecia. Mas penso que existem muitas pessoas que não apreciam apenas o ‘‘genuíno’’, mas o que é válido. Não sei se adianta muito sair por aí falando sobre pensamentos ousados e que, apesar de serem falsos no confronto com a realidade, podem mudar um pouco a cabeça de algumas pessoas e a relação destas com as coisas do mundo. Eu já vi boas exposições de outros ‘‘intelectuais estrangeiros’’, mas que não tem muito a ver com o desejo de ‘‘pensar algo novo (genuíno)’’, mas pensar algo realmente válido, coerente. No entanto, este caráter de pensar algo válido, coerente, não invalida o caráter genuíno. Pelo contrário. Eu, por exemplo, assisti uma conferência muito boa ano passado que falava da ‘‘necessidade’’ e ‘‘possibilidade’’ como conceitos filosóficos e o ataque do 21 de setembro nos EUA. Explico: a idéia era baseada no conhecimento que o governo tinha da situação e no conhecimento do ‘‘inevitável’’, mas que o governo fingia ignorar por culpa das relações políticas e o peso que uma afirmação sobre a situação iria ter. Mas o interessante é que o palestrante/conferencista foi testando as possibilidades de um ataque a partir de fatos e expondo, em contraponto, a necessidade de um ataque maior – necessidade aqui tomada como inevitável, ineliminável.
Então, não há como negar a Olavo de Carvalho’s influence on Brazilian media and politics, mas qual a garantia disto? Se ele tem influência na vida dos brasileiros é porque, de alguma forma, ele usa ferramentas acessíveis à maioria. Aliás, não só no Brasil. Vide as entrevistas que ele – com toda a sua boa base cultural – faz, por exemplo, àquelas que ele responde como se fosse um português. Todo mundo sabe que há uma diferença entre o português do Brasil e o português de Portugal, este muito mais erudito que aquele. Provavelmente, um artigo escrito nos moldes da língua dos nossos colonizadores possui bem mais visibilidade que um artigo escrito nos moldes da nossa língua. (Língua aqui tomada como diferente para deixar claro a diferença da fala, da escrita, etc.)
E o que é pior: já li também que ele ‘‘é uma das grandes figuras do nosso tempo, não só em língua portuguesa mas como a nível global.’’ E li isto de gente inteligente, o que me deixou surpresa.
Eu sei que poderia utilizar o seguinte:
Muito. Não existe possibilidade alguma de entendimento de qualquer civilização antiga sem o conhecimento da Astrologia. O modelo de visão do mundo baseado nos ciclos planetários e nas esferas esteve em vigor durante milênios e isto continua a estar, de certo modo, no “inconsciente” das pessoas. Apesar de algumas deficiências no modelo astrológico, foi ele quem estruturou a humanidade pelo menos a partir do império egípcio-babilônico, o que significa, no mínimo, cinco mil anos de história. A Astrologia é um elemento obrigatório, por isto quem não a estudou, não estudou nada, é um analfabeto, um estúpido. O trabalho mais vigoroso nas ciências humanas do século XX, por exemplo, só aconteceu depois da existência do Instituto Warburg, fundado em Londres por um milionário judeu fugido da Alemanha, que juntou, durante 20 anos, as melhores cabeças do século em torno de uma coleção de manuscritos astrológicos e alquímicos. Sem este estudo, a comunidade acadêmica nunca teria qualquer possibilidade de compreensão real das civilizações antigas, (…)
Para afirmar o abismo que há entre mim e Olavo de Carvalho. Certamente me tornarei pó antes de compreender que sou burra porque nunca estudei astrologia. Agora entendi quando falam que ignorância é uma benção. Mas isto não vem ao caso. O que quero falar é que eu fico perplexa com gente defendendo Olavo de Carvalho. Uma vez alguém me falou que não existem ‘‘fases’’ em relação às pessoas e isto me pareceu coerente, pois mesmo quando a pessoa possui várias fases de entendimento no decorrer da vida, são essas fases que a definem, não dá para escolher uma delas e dizer que esta é a pessoa. Eu sei que posso morrer de vergonha algum dia por ter escrito este texto sobre o Olavo, por exemplo; mas não vou negar o que sou. Como costumo dizer: sou uma livre-pensadora, antes de tudo. Não posso ignorar as aberrações, digo, as figuras intelectuais influentes do meu tempo. Quando eu coloco que o Olavo de Carvalho é louco por negar o valor de Darwin sempre tem alguém para dizer: ‘‘é corrente a confusão entre técnica e ciência, não?’’. Sim, cara pálida, eu sei. Mas daí a separar o que Olavo de Carvalho falou um dia e o que ele fala hoje, é inaceitável para mim. E mesmo eu leio alguns artigos sobre novas leituras de Darwin (pós-darwinistas ou não) e percebo que não negam a influência de Darwin e isto não os impede de assumir novas posições quanto à ciência, inclusive posições totalmente contrárias. Eu falo tudo isso para deixar claro que não dá para fugir da tradição, do que já foi feito. E uma criatura que ignora isso está se comportando como um esquizofrênico, autista, ou algo do tipo. Certamente vem alguém me dizer: ‘‘ah, mas você não parece cética’’. Eu respondo com: sou cética, não idiota. Desconfio de toda e qualquer espécie de regra, mas o indivíduo que torna públicas informações acerca do que não sabe ou do que finge não saber é como um palhaço que se diverte mais que os seus espectadores.
Então se alguém (isto vale também para Olavo de Carvalho) falasse para mim: “meninos de ginásio” (como o que ele – ou outro se passando por ele – falou para o Eli), eu diria: isto é o máximo que você consegue falar sobre mim, sim? Ou citaria o que falaram de forma bem melhor:
Henrique Sobreira, professor da UERJ, fez a maior gozação: “Depois de décadas ‘dormindo na caixa’, Olavo de Carvalho, finalmente, ‘saiu do armário’. A comunidade GLS, que suportou anos a fio o seu destilado preconceito, lhe dá uma solene ‘beijoca’ de boas vindas ao Clube cor-de-rosa”. Ele recomendou que Olavo lesse vários textos do filósofo alemão Theodor Adorno, nos quais analisa o conceito de “educação para a dureza”, próprio do facismo. Gilberto Moraes, outro professor da UERJ, acredita que “Olavo nunca esteve diante de uma arma, passível de tomar um tiro de um bandido”.
Eu posso ter bem menos décadas que o senhor Olavo de Carvalho, mas isto não me impede de falar sobre uma figura que tem um numeroso público e de várias áreas, figura essa tratada como professor, inclusive. Se todo professor fosse tão defendido como Olavo de Carvalho é, a profissão de educador seria mais reconhecida. Mas aí encontra-se o problema, os alunos do Olavo de Carvalho não encontram outra realidade além da realidade que o professor indica/aponta. Tente discordar de 1/3 de algum texto que você será esmagado pelo peso não intelectual, mas do mesmo nível provocativo do professor (com direito a palavrões e tudo!), pois eles aprenderam assim.
Agora me respondam vocês: são filósofos e intelectuais como Olavo de Carvalho que o nosso tempo está formando? Se sim, por favor, apontem para o desconhecido, apontem um filósofo africano, um filósofo asiático, pois de filósofos/intelectuais brasileiros e/ou filósofos/intelectuais que possuem influência global, eu quero distância. Isto só comprova que a Mídia, com ou sem máscara, só nos apresenta informações soltas e nada de conhecimento. Eu neste texto só poderia fazer o mesmo, coletar informações soltas, pois conhecimento não pôde ser encontrado, muito menos produzido, pelo menos não do que eu li. Deve ser porque eu não estudei astrologia (ops, escapou!).
Inquieta. Estudante de filosofia. Amante do saber. Amiga da sabedoria. Repleta de dúvidas. Angustiada.
E-mail: dinha.filosofa@gmail.com






58 respostas so far ↓
kenny // Março 1, 2008 às 7:06 pm
tá de parabéns, você conseguiu descontruir o OdeC perfeitamente
espero outro post desse!
beijo
kenny // Março 1, 2008 às 7:07 pm
ps. postei na comunidade do orkut
Angustiada Consciência // Março 1, 2008 às 7:10 pm
Obrigada por ler, Kenny!
ohermenauta // Março 1, 2008 às 7:45 pm
Muito interessante.
Um comentário: não é bem que o Vilósofo ignore a tradição darwiniana.
É que ele se quer representante de uma outra Tradição. A do pessoal da sabedoria perene, o que já lhe valeu a pecha de gnóstico.
Essa linha de argumentação, que ele aliás abandonou desde que a esquerda chegou ao Poder para poder se dedicar ao udenismo puro e simples, é o que lhe dava alguma originalidade no panorama, er, inteliquitual brasileiro. Esse abandono, aliás, alienou muitos dos seus, er, melhores discípulos.
Ou seja, ele escolheu deixar de ser um exótico e borderline de primeira para virar um reacionário babão de talk rádio como tantos há por aí. Dizem que os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem perder…
abçs!
Angustiada Consciência // Março 1, 2008 às 10:24 pm
Ah, Hermenauta. Eu não tenho paciência para ler Olavo de Carvalho. Inclusive, já devem ter feito mil suposições e críticas ao meu post, talvez por considerarem o texto superficial…
Mas eu fiz o texto para ser lido por todos.
Se eu começar a brincar com a imagem de Olavo de Carvalho com a idéia que já me propuseram, aí sim, quero ver.
Contudo, ninguém lê. Mas quem sabe eu ainda possa fazer algo assim. Com uma base mais forte (as pessoas costumam adorar!), a argumentação torna-se mais interessante.
Márcio Faustino // Março 1, 2008 às 10:38 pm
Pelo menos tem alguém se mexendo nesse país. Isso é positivo, seja para conseguir seguidores ou provocar aqueles que não simpatizam.
Angustiada Consciência // Março 1, 2008 às 10:42 pm
Pode ser, Márcio.
Mas saberemos o resultado disto com algum tempo, não acha?
Ane Brasil // Março 1, 2008 às 10:42 pm
Tem mesmo que ter estômago pra ler Olavo de Carvalho.
Sorte e saúde pra todos!
Angustiada Consciência // Março 1, 2008 às 10:46 pm
É, Ane. Ainda me falaram: ”leia Olavo de Carvalho sem preconceitos”. Foi o que eu fiz. Se foi uma tentativa com sucesso ou não, acho que não cabe a mim responder.
Jorge Alberto // Março 1, 2008 às 10:46 pm
Eu li esse texto tão logo você postou. Preferi não emitir uma opinião, pois o Olavo de Carvalho é um chato de galochas e pensei não merecer algo que o valha. Fiquei muito contente por você tê-lo feito aqui.
Se você quiser rir, leia os comentários dele na comunidade do Orkut. É delírio puro.
Angustiada Consciência // Março 1, 2008 às 10:49 pm
Eu não tenho conta no Orkut, vou tentar o acesso com a conta da minha irmã para dar uma olhada. Infelizmente não vou responder com o perfil da minha irmã, mas adoraria se viessem com ”críticas, comentários, ameaças de morte” através do blog. hehehe
Luciene // Março 1, 2008 às 11:32 pm
Li os primeiros textos do Olavo quando ele era publicado no jornal O Globo. Eram um amontoado de preconceitos, clichês e idéias tiradas da cartola. Depois, conheci seu site. Mais um pouquinho, vieram seus ’seguidores’ orkutianos. Logo depois, conheci o hospício inteiro: http://www.midiasemmascara.com.br/colunistas.php?language=pt
(quer uma dica? Clique em ‘Julio Severo’).
Foi um longo caminho… Mas o primeiro contato com um doido de pedra a gente nunca esquece. = )
Angustiada Consciência // Março 1, 2008 às 11:40 pm
Credo, Luciene. Já pensou numa discussão com uma pessoa assim?
Tenho medo desse link. Tento preservar minha sanidade e meu intelecto.
Renato // Março 2, 2008 às 1:37 am
Bela porcaria este seu texto.
Walter // Março 2, 2008 às 4:21 am
Ginasiano. Falacioso. Pretencioso.
Walter // Março 2, 2008 às 4:27 am
“Eu não tenho paciência para ler Olavo de Carvalho.”
Que adulto. Que profissional. Que acadêmico.
a_paula // Março 2, 2008 às 4:46 am
Quais livros de Olavo de Carvalho você leu para efetuar essa tentativa de crítica? Basear-se numa entrevista de um filósofo para criticar seu pensamento?! Não seria o mais correto analisar uma obra isoladamente, refutar suas teses em terreno filosófico sério (há quem tenha feito isso com rigor). Quanta pretenção moça, mal lê um filósofo, não tem dimensão nenhuma de sua obra e já o joga na lata do lixo desse jeito, diga-se de passagem a partir nesse textinho muito adolescente. Que isso?! Ainda se diz estudante de filosofia.
ohermenauta // Março 2, 2008 às 8:47 am
Chegaram!
Nunca falha. Teste de Turing neles.
ohermenauta // Março 2, 2008 às 8:51 am
Fico imaginando como será isso.
A seita deve ficar vigiando diuturnamente o Technorati para ver se aparece alguma citação suspeita ao site do Vilósofo. Identificada a vítima, vão até lá em bandos para escrever… “pretenção”.
Os gregos, que imaginaram Sísifo, não conseguiriam pensar em piores tormentos. Pobres almas penadas.
Angustiada Consciência // Março 2, 2008 às 9:41 am
Renato, Obrigada. Leitor do Olavo de Carvalho, sim?
Angustiada Consciência // Março 2, 2008 às 9:48 am
Walter,
”Ginasiano. Falacioso. Pretencioso.”
Ginasiano? Qual o problema? Só porque eu não moro no EUA e nem tenho site para expor minhas medíocres idéias para contrapor as idéias de gente que estuda e leva a sério a filosofia?
Falacioso? É, aponte.
Pretencioso? Não sou pretensiosa, rapaz. Basta observar a forma que escrevo, mas quer pretensão? Quer? Se sim, aguarde. Mas me venha com boas noções de filosofia para poder refutar.
“Eu não tenho paciência para ler Olavo de Carvalho.”
Ah, é porque eu tenho mais paciência para ler Kant do que para ler o animal em questão.
Provavelmente diferente da maioria, inclusive você.
Angustiada Consciência // Março 2, 2008 às 9:57 am
a_paula
Se deseja, envia o livro para mim? Eu juro que leio com todo cuidado e TENTO achar algo interessante, aliás, se você leu com calma, eu até elogiei Olavo de Carvalho em algum momento.
”Não seria o mais correto analisar uma obra isoladamente, refutar suas teses em terreno filosófico sério (há quem tenha feito isso com rigor).”
O problema, A. Paula, é que não existe o ”Terreno Filosófico sério”, pois o Olavo não entra numa Universidade e quem está na Universidade não vai perder o tempo refutando teses num manicômio.
”Quanta pretenção moça, mal lê um filósofo, não tem dimensão nenhuma de sua obra e já o joga na lata do lixo desse jeito, diga-se de passagem a partir nesse textinho muito adolescente. Que isso?! Ainda se diz estudante de filosofia.”
OBRA? Ah sim, até Lula escrevendo um livro talvez chamem de obra. Meu textinho é muito adolescente, eu sei disso. E até coloquei a diferença de décadas entre mim e Olavo de Carvalho, provavelmente ele sabe mais que eu de História da Filosofia, mas isto garante o que?
Angustiada Consciência // Março 2, 2008 às 10:11 am
Hermenauta, então…
Imagina se eu tivesse usado argumento de autoridade, teriam me acusado de usá-lo. Mas como eu não usei, eles chamam meu texto de ginasiano.
Eles tentam encontrar qualquer lacuna e apontá-la, mas não se importam com o que eu falei e principalmente não prestaram atenção no que eu falei no final. Deve ser uma doença, só pode.
Mas postei sobre isso, ”maiores esclarecimentos” para as criaturas ilustres.
Gustavo // Março 2, 2008 às 10:12 am
Parabens pelo texto, se bem que honestamente não é preciso muito conhecimento para perceber os embustes que o olavo escreve em alguns de seuys artigos, mas seu dissecamento sempre é bem-vindo
Como sempre não poderiam faltar os hidrófobos comentários dos babões de plantão vindo aqui “defender o mestre”
Angustiada Consciência // Março 2, 2008 às 10:13 am
Obrigada, Gustavo. Até que enfim alguém entendeu a idéia principal.
Barba // Março 2, 2008 às 12:03 pm
Mais interessante é o estilo através do qual a patotinha faz suas críticas. Sempre chegam agredindo… Certa vez mandei um e-mail para o MSM apontando que um dos textos tinha duas referências baseadas em correntes de internet sem qualquer credibilidade. Obviamente o que se seguiu foi algo do calibre do que está aí.
Como eu sempre digo, esse pessoal é EXATAMENTE como aqueles maoístas de faculdade insuportaveis. O discurso de ambos é irracional, calcado em ofensas e clichês. Ambos travestem seu fascismo de liberdade (uns fazendo a linha “liberalismo(dito)-cristão-raivoso” outros fazendo a linha “totalitarismo-comuna-fanático”
e defendem posições radicais baseadas em posturas quase religiosas - se o ídolo é Mao, Olavo de Carvalho ou Jesus tanto faz… as bíblias eles já tem.
Carla Ahmadinejad // Março 2, 2008 às 1:50 pm
Amei ler isso e confesso e te parabenizo tb pelo estômago que tens para ler OdeC.
Leandro Ilek // Março 2, 2008 às 1:56 pm
O que mais me impressiona é como um cara que diz ser filosofo consegue falar tantas besteiras.
Johann Heyss // Março 2, 2008 às 6:25 pm
Olavo de Carvalho simplesmente não é para ser levado a sério. Não precisa ser filósofo nem ler um livro inteiro dele para chegar a essa conclusão. Para mim bastou ler por anos a coluna que ele mantinha n’O Globo para concluir que se trata de um comediante involuntário. Não sou petista, não sou de esquerda (nem de direita), mas independente disto, está claro que o que ele escreve é lixo tendencioso, para dizer o mínimo. Parabéns pelo seu texto, está ótimo.
Angustiada Consciência // Março 2, 2008 às 6:49 pm
Barba, exatamente. Obrigada pelo comentário.
Carla Ahmadinejad, na verdade, não tenho, este texto me custou uma dor na cabeça terrível, mas se eu não morrer de tédio, irei continuar apontando (talvez com uma argumentação um pouco mais técnica) os erros.
Leandro Ilek, o que me impressiona é ter gente inteligentíssima lendo, aplaudindo e defendendo o Olavo.
Não são muitos, a maioria usa de argumentos medíocres, mas existem.
Então, Johann. Até coloquei que ele parece mais com um palhaço que ri de seus espectadores. Burro ele não é, deixo claro. Mas o que ele faz é inaceitável. Por isso questionei no final: são esses os intelectuais que estamos formando? Gente que não leva a sério o que faz?
Orlando // Março 3, 2008 às 7:09 am
1. Não concordo com a ideia de que o português de Portugal é mais erudito que o português do Brasil, porque a língua é a mesma. Podem existir prosápias e dialectos, mas a língua é a mesma.
2. O facto de não concordar com Olavo de Carvalho num ponto ou noutro, não significa que discorde totalmente com ele ou que o menospreze como filósofo. Por exemplo, não concordo com a leitura que OC faz da realidade apodíctica que Kant introduziu na Filosofia através do conceito “a priori” de Númeno e da realidade dos objectos a que chamou de Fenómenos. A matemática e a física pura estão cheias de conceitos “a priori” que a experiência (empirismo) não pode demonstrar. Olavo não tem razão neste particular.
3. Olavo de Carvalho incomoda uma esquerda politicamente correcta que defende um relativismo moral que Kant denunciou através da sua “Crítica da Razão Prática” — um relativismo moral utilitarista de características teleológicas, que defende a ideia de que os fins justificam todos os meios. Kant defendeu a ideia de que a Moral tem que ser Universal, e essa esquerda moderna defende exactamente o contrário: cada um tem direito à sua moral privada. é essa esquerda que não tolera Olavo de Carvalho, paradoxalmente em nome da “tolerância”.
Fenéco // Março 3, 2008 às 10:44 am
Ainda não li Olavo de Carvalho, mas só pelo que vi até agora neste blog, acerca daquilo que lhe é criticado, já sinto simpatia por ele.
Parece que a autora está demasiado absorta em si, daí que prefesse uma segurança total quando demonstra a falta de paciência para tocar no raciocínio dos outros.
Fenéco // Março 3, 2008 às 10:45 am
em “prefesse” deveria lêr-se professe…
Angustiada Consciência // Março 3, 2008 às 11:47 am
Orlando, obrigada pelo comentário.
Fenéco, à vontade; ao contrário de alguns leitores do Olavo de Carvalho, eu não vou usar de palavrões ou coisa do tipo para tentar convencê-lo do contrário. Agora eu defendi que se alguém lê, que esse alguém tenha cuidado, principalmente para não cometer os mesmos erros do Olavo. Eu não tenho paciência para ler Olavo de Carvalho, pois eu sempre gostei de me aprofundar nos autores e não comentadores. Por mais que Olavo tenha suas idéias filósoficas, ele também não expõe sua filosofia de maneira séria. Fica sempre uns textos meio soltos e uns livros críticos, mas não chegam a ser filosóficos (por mais que em alguns momentos ele faça colocações muito boas sobre alguns filósofos). E é por isso que o povo gosta, é um misto de jornalista, filósofo, escritor. Ele condena os exegetas da Academia, mas também não passa de um exegeta por mais que seja um exegeta às avessas. Você pode até ver numa dessas entrevistas dele… ele fala que as pessoas que lêem os textos dele são pessoas frustradas com a academia ou com a exegese, engraçado que isto se reflete o tempo todo, pois, por exemplo, na academia se você fala palavrão, você é logo ”desacreditado”, ”descartado”, já na filosofia do Olavo, todo mundo pode e, me arrisco a dizer, que todo mundo DEVE. Já devem ter falado que meu texto é idiota, é de uma filósofa que passa longe a filosofia, mas se investigarmos bem, eu não falei nada de absurdo (no sentido de inexistente), mas falei absurdos (pois coloquei as frases e textos do Olavo) e ninguém parou para refletir sobre os absurdos do Olavo. Justamente por uma carência de gente que realmente entenda o que ele fala e que possa refutar. O Orlando, por exemplo, já deve ter lido bastante Kant e sabe a que absurdos estou me referindo, mas ele faz parte de minoria.
Falaram também que eu tenha cuidado se eu não sei acerca do que Olavo de Carvalho está falando. É justamente porque sei que estou advertindo aos que não sabem.
O engraçado também é que tem gente falando que a maioria dos autores comete erros ao falar de alguns filósofos sem saber e que isso é extremamente comum. Mas nunca vi alguém usar de relativismo de uma maneira tão banal como Olavo de Carvalho (vide a paralaxe cognitiva em relação a Kant).
Eu acho interessante a postura do Orlando e suas colocações quanto ao Olavo, mas eu não tenho a mesma opinião quanto a questão de algumas teses do mesmo não invalidarem o perfil de filósofo. Geralmente os filósofos trabalham muito bem a crítica a outros autores e por mais que tentem destruí-los com suas teses, eles estabelecem a sua filosofia e justificam com bons argumentos (mesmo que incompletos ou insuficientes). E muitos até sabem dessa insuficiência e admitem. Olavo de Carvalho não, ele erra, erra, erra e não faz questão de admitir seu erro.
Então eu acho que uma pessoa que erra, erra, erra e não faz questão de aprender com seus erros…não é bem o que eu posso chamar de filósofo.
Aliás, nem filósofo e nem mestre em história da filosofia.
Não quero que os meus filhos leiam livros do Olavo de Carvalho como se fossem uma bíblia e, se um dia lerem Olavo de Carvalho, espero que eles estejam ”vacinados” contra tantos furos e lacunas que o Olavo faz questão de sustentar.
Olavo Campos // Março 3, 2008 às 1:11 pm
Olavo de Carvalho é (ou melhor, pretende se tornar) uma versão brasileira de Josef Goebbels.
Angustiada Consciência // Março 4, 2008 às 9:30 am
Uow. Será?
Thiago Pininga // Março 4, 2008 às 11:28 am
oi. passei pelo teu blog e me deparei com esse texto. antes de comentar sobre o texto queria comentar sobre a estrutura do mesmo. achei demasiado grande, talvez fosse melhor dividi-lo em partes para nao cansar uma vez que o proprio assunto/personagem é tedioso como vc mesma falou.
vc se lembra daquele sujeito carvalhiano noutro blog?, nao era isso que queira falar, enfim…
lendo esses trechos que vc postou sobre a figura é interessante notar quanto adjetivo ele coloca (incrivel, para ser ironico). poderia ate citar aqui alguns exemplos que se fossem “enxutos” só sobrariam a pontuação. mas que isso tem? que a argumentação “é a parte mais baixa e rudimentar do treino filosófico”, dá pra entender? claro que são os adjetivos que sao a parte mais nobre!!!viva os poetas!!!
como vc eu tbm ri dessa argumentação contra-argumentação…mas enfim…talvez se ele nao tivesse fugido das aulas de logica classica talvez pudesse ouvir da propria boca dos logicos quanto a questao da verdade com relaçao aos problemas contigenciais…poderia, eu, vc, ou quaquer um daqui melhorar essa argumentação…mas claro que se para falar contra a logica é contraditorio falar usando a mesma. coisa que olavo consegue fazer “divinamente” com o uso de sofismos…e por incrivel que pareca é neste trecho que está em coerencia pela primeira vez com a forma/maneira dele pensa:
“(…
e ao pronunciar uma sentença aparentemente verdadeira você pode não estar pensando nada, ou então pensando uma falsidade completa que, por coincidência, se exprima com as mesmas palavras de um juízo verdadeiro.”
nao seria isso o proprio olavo? é isso mesmo fãns do “filosofo” em questao, ele falou dele mesmo, coisa que sempre faz, i.e. doxa, conhecimento a partir dele e nao das fontes…dessa maneira, por tras do “aparentemente verdadeiro” que ele escreve, na realidade não está pensando nada ou numa falsidade completa. é esse o segredo do metodo dele!!ele sabe oq tah fazendo, eh inteligente…agora vejo a genialidade, vejo coerencia nas incoerencias que li…pena que esteja somente brincando e nao pensando…
Thiago Pininga // Março 4, 2008 às 11:44 am
falando serio,nao estou brincando, respeito olavo muito mais agora, principalmente que sei quais os objetivos e vejo com claridade o que pensa…brincando nao seria a palavra certa, e nao pensando tbm…pq um que ele pensa e sabe como pensa, mas dois pq nao seria brincando pq ele mesmo leva a serio e outros tbm…talvez a palavra certa seja: neosofista…
perceba, cetica, que ele tem prestigio popular pq usa de meios de comunicaçao da massa eh o mesmo que ocorreu com os velhos sofistas…a educação pop podemos dizer assim hoje…e a retorica comendo solta, dê uma olhada em volta: na tv, na net, na literatura,na roupa q vc usa, et cetera. olavo é fruto do nosso tempo e se ele tem razao e pq tem quantidade e nao qualidade - nao é a filosofia de nosso tempo?
Thiago Pininga // Março 4, 2008 às 12:02 pm
por fim, o prejudicial em olavo nao eh o que ele pensa ou como pensa, mas ingenuidade com relação ao pensamento, filosofia, razão…como cecita disse, para se refutar olavo nem se daria o trabalho pq nao tem o q refutar…e a forma de pensar jah expliquei, se alguem acha correto entao ela tem o “poder” de “achar” mas que para ser escolha consciente deve-se saber a forma que ele pensa, hermeneutica. alias, a propria ideia de escolher ao acaso é sofista e nao filosofica, talvez ideologica…(e entao volto ao que falei, eh fruto do tempo). a saber, se escolho sem entender é pq nao considero os meios mas os fins…
Roger Prado // Março 4, 2008 às 12:25 pm
Antes é preciso dizer (e você entenderão depois porque é preciso dizer): em economia sou liberal, da linha do Reagan, do Friedman. Em política sou democrata e não vejo democracia em um estado que não seja laico. E sei perfeitamente que democracia é um ideal que deve ser buscado sempre e não um conjunto de regras perfeitas, binárias e mágicas que se implantam e tudo passa a ser legal. Democracia é um “norte”, um negócio platônico. Em religião sou ateu, porque é evidente que deuses não existem. Isso é tão óbvio que nem dedico mais tempo a discussões desse tema. Só não cheguei ainda ao ponto de mandar aqueles que discordam de mim irem todos “tomar no c…” Mas um dia volto a estudar o assunto e me tornarei uma autoridade. Aí sim vou mandar todo mundo que pensa diferente de mim “tomar no c…” (cética, desculpe-me o palavreado)
Agora ao assunto do post: o Olavo diz coisas pertinentes sobre o pensamento único, sobre a psicologia das esquerdas, etc. É uma personagem complexa, que exige análises sempre longas. Como prefiro desenhar e fazer bonecos de massinha a tentar entrar na cabeça alheia (ainda que brinque com isso também de vez em quando), limito-me a dar minha impressão fugaz: o homem é um torvelinho que TENDE a creditar tudo de ruim que há no mundo ao iluminismo, ao progressismo. Deus é o centro, a religião, Jesus, santos, essas coisas chatas. E tenho procurado me afastar de assuntos chatos. Então, no âmbito da religião, vejo-o apenas como um santarrão, ainda que ele possa ser uma autoridade no assunto, o que não são atributos mutuamente excludentes.
Do lado da política, desisti de ler o Olavo depois que cansei de encontrar em seus textos a relativização da tirania. Ele não parece se opor às tiranias em geral. Ele parece se opor às tiranias de esquerda. Para mim tiranina é tirania. Ele cita os crimes da ditadura brasileira e da chilena, sim. Cita. Mas cita-as somente como parâmetro de comparação, sempre para dizer que a esquerda matou muito mais. Concordo. A esquerda é bem mais pródiga na construção de torres de cadáveres. Muito mais pródiga. Mas por que será que OdeC nunca escreveu um texto condenando Pinochet? Nunquinha. Repito: ele cita Pinochet e as mortes do regime chileno. Mas cita somente para efeito de comparação com os demais tiranos da região, para no final concluir “viu como a esquerda é que é a mais malvadinha de todas”? Ora, isso é pé-no-saco demais. Tirania é tirania, ainda que umas matem mais do que outras. Ele nunca defendeu a ditadura de Pinochet, mas também nunca a atacou.
Ah, Walter, por falar em ginásio, a grafia correta para o termo que designa alguém que se vê numa posição além daquela em que realmente está é “pretensioso”.
P.S. Tive de dizer antes qual a minha “linha”, pois é comum que o séquito babão do OdeC perspegue uma etiqueta de esquerdista em todo mundo que diga pelo menos que o cara é feio. Se quiserem colar a etiqueta, escrevam “direita”, viu? Mas depois eu arranco a etiqueta, pois prefiro minha alma totalmente “pelada”.
Roger Prado // Março 4, 2008 às 12:28 pm
Ah, Cética. Eu também sou de Fortaleza, e só não vaiei o sol na Praça do Ferreira porque naquele dia histórico eu não era sequer um gene não fecundado.
Angustiada Consciência // Março 4, 2008 às 4:58 pm
Exatamente, Thiago. Tive que colocar o problema para deixar claro a (falta de) lógica do Olavo de Carvalho.
—
Obrigada, Roger. Eu realmente não conheço essas questões levantadas pelo Olavo, mas é bom ver que você tem atenção com o que ele fala ou deixa de falar.
hahaaha, deixou de vaiar o sol? Mas você faz o que aqui em Fortaleza, Roger? Como me achou na blogosfera?
Beijos, rapazes!
Roger Prado // Março 4, 2008 às 6:57 pm
Angustiada Consciência, mas a história do “vai tomar no c…” do OdeC você conhece, né?
Angustiada Consciência // Março 4, 2008 às 8:04 pm
Que ele fala palavrão? Ou tem algo mais?
Ding an Sich « perspectivas // Março 5, 2008 às 11:37 am
[...] da filosofia de Immanuel Kant?” – Olavo de Carvalho, sobre a “coisa em si” de Kant (via) “O saber da ciência já destruiu a “coisa em si” mesmo antes da bomba atómica” – [...]
Roger Prado // Março 5, 2008 às 2:04 pm
Durante um de seus programas de rádio na web, ele passou a berrar essa expressão. Parecia que tinha ficado totalmente descontrolado. Foi muito engraçado.
Se me lembro bem, ele estava comentando um post de um blog, ou algo do gênero, e aí disse que aquilo era tão absurdo que não merecia uma análise séria, restando a ele somente mandar o autor “tomar no c…”. Ele divide as pessoas em duas categorias básicas: aqueles que merecem sua análise e aquele que devem ir “tomar no c…”. Ri muito nesse dia. Os programa deve estar lá, gravado. Mas não sei a data.
Roger Prado // Março 5, 2008 às 2:09 pm
Sobre falar palavrão, nada contra. Cada um se expressa do jeito que melhor lhe aprouver. Eu tenho meu repertório, que uso quando acho que convém.
Eu só ia achar engraçado. 
Mas acho que o palavrão perde sua função quando usado em demasia. A função do palavrão é dar um choque. Se a rainha da Inglaterra xingar alguém usando um palavrão (desse pessoal que usa coroa, o rei Juan Carlos foi quem chegou mais perto disso), é um choque. Se o Olavo de Carvalho usa, não é um choque, porque já faz parte do vocabulário dele. Então, a rigor, podemos afirmar que ele não diz palavrões. Seria muito natural que ele, depois de ler esse meu comentário, me enquadrasse na categoria dos que devem ir “tomar no c…”. O problema aí é que isso não me afetaria, pois vindo dele não é mais palavrão.
Angustiada Consciência // Março 5, 2008 às 2:14 pm
Ah, eu ouvi algo assim já, Roger. Um amigo mostrou-me o link que dava num desses programas gravados, ele xingou o reitor da UFPE porque ele tinha colocado uma questão sobre moral ou ética em que existia opção com o nome dele. hahaah Ele não era ético (de acordo com a questão). Então já viu né…
Alexander C. // Março 6, 2008 às 11:23 pm
“Olavo de Carvalho é (ou melhor, pretende se tornar) uma versão brasileira de Josef Goebbels” (Olavo Campos)
Goebbels era um socialista alucinado. Olavo de Carvalho amaldiçoaria você até a nona geração se tomasse ciência dessa comparação ridícula.
Roger Prado // Março 10, 2008 às 10:22 am
Alexander está certo. Socialismo e nazismo são duas faces da mesma moeda.
Grace Olsson // Março 16, 2008 às 11:40 pm
Cética, muitas vezes se fala o que nao sente e vice-versa.
Em termos de filosofia eu sou delirantemente apaixonada por Voltaire. Não desrespeitando os outros mas esse Olavo de Carvalho, nem vou entrar no méritos dos delírios dele(ou talvez sanidade mental exacerbada)
Dias felizes
Grace Olsson // Março 16, 2008 às 11:45 pm
Eu não sou adepta do palavrão. E este é, ao meu ver e diante das circuntâncias, uma forma vulgar de expressão. E uma maneira nao muito polida de se dizer o que se pensa sobre um detrminado tema.
cada um enconra a forma de se expressar como quiser contanto que aceite que os outros nao sejam obrigados a coadunar com as mesmas formas de visualizar a vida .
André Xavier Costa // Março 18, 2008 às 11:07 am
Cética, eu sou um olaviano (ou seria um oleviano?), mas como dizia o Alexandre Soares Silva, num famoso “post”, a gente que se identifica com o Olavo, tem sempre que se explicar. Sou olaviano, mas sou limpinho, portanto. Acho demasiada essa reação dos olavianos mais fervorosos (que, suspeito, nem conhecem a filosofia dele tanto assim), mas também entendo o impacto que seus textos (e tudo que deles derivam) causam nas (pobres) almas dos seus leitores (dizendo isso, obviamente, com conhecimento de causa).
Mas, como diz o Roger Prado, acima, e ele mesmo Roger cometendo o erro, não se pode dar julgamento de todo a partir de um detalhe (ou de poucos detalhes) em um filósofo complexo (e esse adjetivo é constatação mesma da denominação de filósofo).
Falar levianamente sobre as idéias do Olavo sobre religião (como faz o Roger), de gnosticismo (como o Hermenauta) ou de astrologia (como faz você) é incorrer no mesmo erro que você o recrimina. Parece-me tão mais sensato levantar o debate sobre as idéias dele sobre Kant, e discuti-las como fez o Orlando, e até levá-las ao próprio Olavo, quem sabe. Aliás, é isso que ele próprio reclama, essa inexistência de debate sério de idéias, que a Universidade volte a ter esse papel. Não vejo nesse teu texto essa iniciativa, e, permita-me, por isso, escrever esse comentário.
Angustiada Consciência // Março 19, 2008 às 2:50 pm
Grace, é lamentável que alguém utilize o conhecimento do jeito que ele utiliza, . Jamais vou concordar com esses palavrões, xingamentos, etc. Ainda bem que não estou só.
André , muito obrigada pelo comentário. Bom, quanto a discussão eu abri uma conta no Orkut p/ discutirmos, o tópico está na comunidade ”Olavo lado B”, o link é este: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=42033749&tid=2586399419129709655.
estou apenas esperando alguns comentários dos defensores da interpretação do Olavo p/ depois voltar a comentar, talvez c/ um texto um pouco mais formal. Abraço.
Daniel // Março 30, 2008 às 4:06 pm
Olavo de Carvalho não é filósofo, mas a Angustiada sem Consciência é. Alguém duvida? Então comparem todos os livros e apostilas dos cursos dela com os do Olavo de Carvalho.
Cheguei até aqui através do post do insigne cabeça oca do Raphael, para quem ter “a chance de falar mal” de pessoas ausentes é grande coisa e motivo de orgulho.
E Thiago Pinga? Seus comentários constituem prova incontestável do atual estado dos cursos de filosofia no Brasil: uma fábrica de semi-analfabetos, burros e presunçosos.
Vocês três aprendam a escrever, pelo menos. Quem sabe assim conseguem alcançar o Olavo de Carvalho no domínio do idioma, já que no das idéias é uma impossibilidade, como se vê pelos “comentários”.
Angustiada Consciência // Março 30, 2008 às 4:48 pm
Daniel, obrigada pelo comentário e pela crítica.
Aproveitando a tua boa vontade, pode dizer qual a contribuição do Olavo no contexto filosófico? Pode dizer qual a utilidade da paralaxe cognitiva? Se possível: cite alguns bons exemplos.
Abraço.
marcos // Abril 4, 2008 às 5:59 pm
Prezada Angustia
Concordo com vc sobre Olavo.
Há recortes e refutações interessantes. Não há Filosofia no Brasil. O que há são Humoristas, Sarristas, Piadistas esses sim fazem Filosofia.
Alex Luis // Abril 22, 2008 às 11:04 am
Olha, este Olavo é um charlatão. Usa os mesmos recursos sofistas daqueles a quem critica, e quem acredita nele são pessoas que têm o mesmso apreço pela ética que ele. Está na hora de surgirem mais blogs desmascarando este presdigitador de quinta categoria. Parabéns pelo seu texto.
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