Dúvidas & Angústia.

Mulher

Março 8, 2008 · 15 Comentários

É bem complicado tocar no assunto mulher, pois este assunto vem carregado de tabus, preconceitos e visões estereotipadas. Mas eu quero escrever. No entanto, aviso: não penso e nem concebo a mulher como um ser isolado, mas penso a mulher como um ser que tem caráter decisivo na história.

Sabemos que por muito tempo a mulher foi ignorada, humilhada e tomada apenas como um objeto no sentido de não ter autonomia e consciência de suas capacidades, com exceção das capacidades que o sujeito – homem – atribuía a ela.

Os tempos mudaram, mas a mulher ainda sente conseqüências das escolhas que ela nunca pôde fazer, ou melhor, da condição que a impediu de ela ser um pouco diferente. O conservadorismo arcaico serve de exemplo aqui para ressaltar os obstáculos que a mulher ainda tem que enfrentar, começando por idéias dos próprios pais que ‘‘indicam’’ qual seria a melhor profissão, qual seria o marido ideal, etc.

Obviamente existem algumas culturas em que a mulher não cogita sequer a possibilidade de abandonar a sua ‘‘inferioridade’’ e os homens não abandonam a necessidade de controlar as mulheres. Este é um desafio que pode ser enfrentado, não sei quanto tempo será necessário, mas não é impossível. Jean-Jacques Rousseau já dizia n’O Contrato Social: ‘‘Portanto, se há escravos por natureza, é porque houve escravos contra a natureza. A força constituiu os primeiros escravos, a covardia os perpetuou’’. Comparo aqui a situação de algumas culturas com o período da escravidão.

O que quero afirmar é o seguinte: toda mulher deveria entender que possui a mesma ‘‘racionalidade’’ do homem, mas que precisa aprender a expressar isso, inclusive, confrontando com todos os erros já cometidos nas tentativas de torná-los (homens e mulheres) diferentes.

Mas essa ‘‘qualidade’’ (igualdade) não pode ser levada a tudo, me refiro às capacidades que a mulher tem de realizar projetos, de concluir planos. Eu admiro as mulheres que brincam com a idéia do ‘‘sexo frágil’’, com a sensibilidade e fazem os homens pensarem que elas são fracas; elas brincam com as mais variadas fantasias – só para não trazer à superfície a força e a inteligência que há por trás de qualquer jogo de sedução.

O engraçado é que há alguns dias um homem falou que se relaciona com várias mulheres, mas no ‘‘final’’ se apaixona pela mais difícil de ser conquistada e a mulher, quando quer um homem especifico, finge ser a mais difícil para provar que ela é ‘‘quem’’ estava ele estava procurando. O quanto isso é verdade eu não sei, mas penso que cada um usa o conhecimento que tem da forma que bem entender. Se uma mulher vai à alguma festa e lá se relaciona com vários homens, isto não quer dizer que ela não tenha o seu valor. O mesmo vale para as mulheres mais reservadas. A maioria das mulheres ainda não entendeu que deve ser reconhecida por outros valores além daqueles já conhecidos, que são os mais superficiais. Se é assim com o homem, por que não com a mulher? Se o homem é reconhecido pela contribuição à civilização, por que a mulher não pode fazer o mesmo? Para mudar a mulher tem mudar também as perspectivas que existem. Aprender a se valorizar a partir do que é entendido por ‘‘valores’’.

Se escutarmos músicas como estas:

Puta - Rogério Skylab

Abre essas pernas - Velhas virgens

Lora Burra - Gabriel, O pensador

Teremos a sensação de que a intenção das bandas é acabar com a imagem da mulher. Mas não é. Esta é a ‘‘imagem’’ que a mulher ‘‘promove’’, é a imagem que ela deixa clara, é assim que ela quer ser conhecida. Há algo errado, o mundo já está tão banalizado (a falta de sentido, o niilismo, o relativismo) que existem mensagens apelativas, mas apelativas no sentido de buscar algo diferente, buscar mulheres que se valorizem. Mulheres, verdadeiramente mulheres.

Se o problema está na (in)capacidade da mulher, então que ela prove que pode, que ela obtenha sucesso no que faz, que seja tão boa ou melhor que o homem. Talvez assim a mulher também possa libertar-se de toda ignorância, libertar-se através do conhecimento da realidade. Não conseguimos mudar se não tivermos consciência da situação atual. Se a mulher vai sempre às festas em que as mensagens principais são: ‘‘Só as cachorras, as preparadas…’’, ela pode reclamar de ser tratada como cachorra? Se uma mulher sonha em relacionar-se com um rapaz estrangeiro única e exclusivamente para morar na Europa, tratando o homem como um objeto (meio para conseguir algo), pode ela reclamar se for tratada como um objeto? Um objeto tão superficial quanto um peixe? (A la Turgueniev)

O que eu quero deixar claro também é que o efêmero, o superficial são deliciosos, mas o desafio, a profundidade também são. A mulher tem tomar consciência de que a situação feminina está insustentável, ela tem que ver a si mesma como sujeito, tem que questionar sobre o que está fazendo e, sobretudo, tem que dar o melhor de si. Só assim o homem pode enxergá-la como igual. A mulher tem que se destacar no que fez, tem que levar a sério o que faz. Acho que só assim ela poderá dizer: ‘‘Sou mulher, sou uma mulher de verdade.’’

Eu, por enquanto, me arrisco a dizer que consigo ser mulher. Consigo ser mulher em meio a todo caos que insiste em me arrastar, que insiste em mostrar que eu não consigo, que sou ‘‘qualquer’’. Mas eu consigo. Eu consigo porque eu amo desafio e quer desafio melhor que ser reconhecida como mulher, mulher de verdade.

Este post é um grito de outras mulheres que lutam por valorização, que lutam contra à hipocrisia, a idéia inicial surgiu através do post da Lys.

Mas tem várias outras pessoas participando. Todas devem ter tratado o tema de uma forma diferente, mas o meu ponto principal é a reflexão. Confiram os outros links dos blogs que participaram da coletiva no link abaixo:

Pela valorização da mulher

Valorização da mulher

ps: Outro texto que fiz.

Categorias: Momentos
Tagged: , ,