Bom, acho necessário fazer algumas considerações sobre o blog.
Primeiro: o intuito do blog não é expor textos que sejam repletos de conceitos filosóficos e de difícil acesso. Mesmo porque eu não tenho nível para isto e, na verdade, nem aprecio. O que eu gosto de fazer é pincelar os textos com um pouco de filosofia.
Segundo: o blog não é uma empresa. Eu não faço questão de que muitas pessoas leiam, não ganho nada com isso. A idéia inicial que eu tive foi tentar escrever sobre assuntos que me interessam e que eu me aprofundo ou assuntos que surgem no dia-a-dia, mas que não possuem ou não merecem um nível de profundidade; só desejo organizar o pensamento acerca de ambos. Gosto de ler blogs que se propõem a examinar cada assunto de forma bem aprofundada, mas eu não tenho paciência para fazer o mesmo. Vejo blogs com muitos leitores e pressupõe-se que exista um círculo de amizade entre blogueiros ou utilização de alguns artifícios que proporcionem uma visualização mais ampla mas, certamente, este não é meu objetivo, não é o que eu vou fazer com o meu blog.
Terceiro: eu procuro citar as fontes dos vários autores que são expostos no blog, mas não me preocupo em usar formalidade em tudo. Às vezes coloco apenas o nome do livro e do autor, não coloco editora, número de edição, ano, etc.
Agora sobre mim e a relação que eu tenho com o blog.
Eu sempre questiono. Sempre. Não é uma postura de quem deseja criticar tudo. Não sou revoltada ou frustrada. Mas eu uso o ceticismo como um método para testar o conhecimento acerca de diversos temas. A minha dúvida não é metódica, é muito mais que isso. As minhas dúvidas me consomem.
Como eu já havia falado, não tenho o rigor técnico utilizado pela maioria das pessoas que se propõem a escrever. Eu escrevo do mesmo jeito que falo e falo do mesmo jeito que penso. Eu não tenho garantia de que uma pessoa vai ler mais que um post meu, pois as pessoas apreciam a melhor escrita (mesmo que não estejam entendendo nada!). Aliás, nem sou boa em gramática, mas pretendo me dedicar algum dia. Infelizmente não estudei com o Pasquale Neto, seria ótimo.
O mais engraçado é que sempre tem alguém tentando enquadrar os outros, classificá-los, mas quando fazem comigo não passa de uma tentativa mesmo. Já me chamaram de ingênua, de quebra-cabeça, de complicada, de previsível, etc. Já disseram que sou amargurada, já disseram que eu sou ‘‘armada’’ (no sentido de sempre ter um argumento para eliminar o de outrem), já disseram que eu escrevo com acidez, mas sou um doce. Ah se parasse aqui. Mas o melhor é o próximo ponto.
Além de gostarem de classificar, algumas criaturas gostam de dizer o que tenho de fazer, como devo agir. Eu nunca faço, eu nunca mudo quando querem que eu mude. Sempre tem uma pessoa para dizer o quanto a outra é ruim no que faz e comigo não seria diferente. Algumas vezes até funciona, mas no melhor sentido, pois adoro desafio e quer desafio melhor que o desafio gerado a partir de uma boa provocação?
Vivi péssimos momentos e, entre eles, o que me marcou mais foi quando eu aprendi a ter medo. Isto se reflete até hoje na minha vida, pois aprendi a ser menos fútil. Não tenho orgulho desse momento, não tenho orgulho de nada. Experimenta enxergar o mundo tal como ele é, talvez você também não tenha orgulho.
Para finalizar agora. Costumo dizer que o peso da verdade é insuportável para alguns, geralmente temos certeza, não verdade (como boa iniciante no estudo do velho Hegel, não posso deixar de pincelar o final com ele). No entanto, proponho aos que leram até aqui: eliminem suas certezas e se concentrem na verdade. Caminhem pensando no saber. Depois me respondam se são os mesmos.
[23 de fevereiro de 2008]
Inquieta. Estudante de filosofia. Amante do saber. Amiga da sabedoria. Repleta de dúvidas. Angustiada.
E-mail: dinha.filosofa@gmail.com





